Comunistas chilenos exigem plebiscito sobre nova Constituição
Manifestações no Chile reprimidas com violência

 

REPRESSÃO Prosseguem no Chile os protestos populares contra as políticas neoliberais do presidente Piñera e continua também a violenta repressão dos manifestantes pelas forças policiais e militares.


Forças especiais da polícia investiram com violência, na segunda-feira, 4, utilizando canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo contra milhares de pessoas que se manifestavam pacificamente na praça de Baquedano, em Santiago do Chile.

A concentração foi convocada pela Mesa de Unidade Social – plataforma de 100 organizações sindicais, sociais, profissionais e estudantis –, que encabeça os protestos populares iniciados a 18 de Outubro contra o modelo neoliberal de governação.

A acção na praça integrou a «Super Segunda-feira», uma série de protestos na capital e noutras cidades. Manifestações igualmente reprimidas com violência pelas forças governamentais em Concepción, Valparaíso, Viña del Mar, Arica, Talca, Curicó, Talcahuano e outras localidades.

O presidente do Partido Comunista do Chile (PCC), Guillermo Teillier, denunciou em entrevista à Rádio Novo Mundo as manobras em curso de Sebastián Piñera, que pretende deixar de lado o movimento social e chegar a acordo apenas com alguns partidos da oposição. Teillier considera que a Mesa de Unidade Social é, neste momento, o verdadeiro interlocutor, «é o núcleo organizado mais importante do país», mas «o governo não o tem em consideração, nem sequer para conversar». Para o dirigente do PCC, a realização de um plebiscito e o avanço para uma nova Constituição entraram na agenda nacional, com amplo apoio da população, ainda que a direita e o seu governo se oponham a essa ferramenta democrática.

A plataforma Unidade para a Mudança (que reúne o PCC, o Partido Federação Regionalista Verde Social e o Partido Progressista do Chile) apresentou um conjunto de propostas para a saída da crise, entre as quais sobressai a exigência de elaboração de uma nova Constituição através da eleição de uma assembleia constituinte. O salário mínimo acima da linha da pobreza; a valorização das pensões; a jornada de 40 horas; a redução dos preços dos transportes; o congelamento dos preços dos serviços essenciais; a reforma fiscal; a renacionalização da água; a exploração dos recursos naturais pelo Estado; e o reconhecimento da plurinacionalidade aos povos indígenas são algumas das restantes propostas.




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