• Henrique Custódio

Indelével

Um relator independente da ONU para a área dos Direitos Humanos, Idriss Jazairy, declarou que a aplicação de sanções económicas à Venezuela vai agravar a crise que afecta o país, acrescentando que «precipitar uma crise económica e humanitária não é uma base para a solução pacífica de controvérsias» e que, ao ouvir-se relatos de que as sanções «visam mudar o governo na Venezuela», advertiu que «a coerção, seja militar ou económica, nunca deve ser usada para procurar uma mudança de governo num Estado soberano», frisando que «o uso de sanções por poderes externos para derrubar um governo eleito está em violação de todas as normas do Direito internacional».

É claro que a Associated Press (AP) norte-americana, especialista em fake news neste reinado Trump, acorreu (solitariamente, diga-se) a «informar» que o gabinete de Idriss Jazairy «recebe fundos de vários doadores, incluindo da Rússia», sem direito a que se lhe pergunte o que é que isso tem, quando se recebe fundos da Rússia, dos EUA (já agora também da China ou da Nova Zelândia) e de vários doadores por esse mundo fora, como é o caso generalizado e pré-definido de... toda a ONU...

Esta notícia foi dada e imediatamente esquecida pela comunicação social, mais empenhada em difundir, sem pestanejar, que o presidente norte-americano Donald Trump prometeu usar «todo o poder económico e diplomático dos EUA para pressionar a restauração da democracia venezuelana».

Esta arrogância totalitária não inquieta os grandes media, que a difundem com a mesma indiferença com que estão a desmantelar, pedra a pedra, a ordem internacional que tem regido a Humanidade desde a última Guerra Mundial, assente no respeito inviolável pela independência e a soberania de cada Estado. E em obediência à política de Trump, uma criatura que surge, no devir histórico do imperialismo, para, provavelmente, protagonizar a queda do império norte-americano.

E o golpe de Estado a céu aberto continua na Venezuela, com o palhaço dos EUA, Juan Guaidó, já no país, a tentar excitar as populações para dar espaço à invasão militar norte-americana - que pede abertamente -, enquanto os seus apaniguados, como ele próprio treinados pela CIA, promovem sabotagens via informática no fornecimento eléctrico, de modo a gerar o caos e fazer cumprir o objectivo final, que é a tomada pela força do país pelo exército norte-americano e o regresso à depredação ianque das riquezas naturais da Venezuela, como sucedia até há 20 anos atrás, quando a revolução bolivariana, liderada por Hugo Chavez, cortou essa torneira de petróleo aberta torrencialmente para os depósitos dos EUA e iniciou um governo do e para o povo.

Haja o que houver, este apoio ao golpe na Venezuela põe em causa a ordem internacional. É um crime indelével.




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