A mão por detrás do escândalo BES/Novo Banco
Pode-se olhar para todo o processo que envolveu e envolve o BES/Novo Banco reduzindo o assunto à intervenção de vários dos seus protagonistas. O banqueiro – Ricardo Salgado - que passou de bestial a besta com o colapso do BES/GES, o governador do Banco de Portugal e a sua extraordinária capacidade de nunca acertar, a ex-ministra Assunção Cristas que confessou ter assinado de cruz à saída da praia a resolução do BES que haveria de custar ao povo português milhares de milhões de euros. E, claro está, Passos Coelho e António Costa que agiram sempre como se a única alternativa fosse a de colocar o povo português a pagar a factura da corrupção e da especulação financeira, para depois entregar o banco novamente ao grande capital.
Mas o problema é bem mais profundo como se pode verificar pela tragédia que representou para o País a privatização da banca portuguesa, o amplo favorecimento que o capital financeiro tem tido ao longo de décadas e a submissão completa aos desígnios de uma União Europeia apostada em impor uma acelerada concentração de poder e riqueza nas mãos de três ou quatro mega-bancos.
Como fomos dizendo, a origem e o colapso do BES, com todas as consequências e opções que lhe seguiram, são um fiel retrato do capitalismo em Portugal e da política de direita que lhe dá suporte. O facto da actuação do actual Governo minoritário do PS ser convergente com as opções do anterior Governo PSD/CDS nesta matéria, socializando prejuízos e privatizando os lucros, apenas confirma aquilo que temos dito: não há nem governo, nem qualquer maioria de esquerda na Assembleia da República. E que a ruptura com a política de direita, tão necessária a uma resposta estrutural dos problemas do País, não só está por fazer, como é no PS, que encontra precisamente o seu principal obstáculo. Recuperar o controlo público da banca, colocando-a ao serviço do Povo e do País, é tarefa da política patriótica e de esquerda que os comunistas propõem ao Povo português. Também aqui, avançar é preciso!