• Ângelo Alves

A luta contra o fascismo e pela paz passa por condenar o golpe na Venezuela
Uma questão de decisão!

A decisão do Governo do PS de reconhecer o autoproclamado «presidente» fantoche Guaidó como «Presidente interino da República Bolivariana da Venezuela, com o encargo de convocar e organizar eleições livres» é uma das mais graves, perigosas e cínicas decisões de um governo português sobre questões internacionais. Revela um total alinhamento com a política imperialista e com as estratégias de ingerência, conspiração e golpismo protagonizadas por alguns dos mais reaccionários governos existentes no Mundo.

O Governo português está a apoiar um golpe de Estado de extrema-direita na Venezuela, é disto que se trata. Um golpe de Estado protagonizado por um homem a soldo de Trump, Bolsonaro, o regime colombiano e por outros regimes de direita e extrema-direita. Um homem que durante anos foi literalmente treinado por várias organizações conspirativas norte-americanas subsidiárias da CIA, pago por oligarcas venezuelanos, nomeadamente no exílio, e por sectores do grande capital colombiano e norte-americano. Tudo para minar e tentar derrubar governos democraticamente eleitos na Venezuela, levar a cabo sucessivas acções de desestabilização e fundar uma organização de extrema direita – o Vontade Popular – que esteve envolvida em vários crimes, como as hediondas «guarimbas», e que está igualmente ligada às tentativas de assassinato de Maduro.

O homem a quem o Governo português reconhece «necessária legitimidade para uma transição pacífica» é o dirigente de uma organização que esteve envolvida em crimes como os de 2017, em que foram mortas mais de uma centena de pessoas, algumas queimadas vivas; que se recusou a participar nas eleições presidenciais, apesar de estas terem sido antecipadas a pedido da oposição, sabendo que as ia perder; que recusou todas as propostas de diálogo feitas pelo presidente Maduro; que apela à intensificação do boicote económico e às sanções contra o seu próprio povo; que já verbalizou a ameaça de uma guerra civil; que está a utilizar a cartada «humanitária» para preparar uma possível invasão da Venezuela e que acaba de recusar uma proposta de mediação do Papa Francisco.

A solução que o Governo português entende ser a melhor para «restituir aos venezuelanos o poder de decidir livremente o seu destino» é promover o homem que em Dezembro do ano passado se deslocou em segredo à Colômbia, ao Brasil e a Washington para articular as manobras de desestabilização interna; que avançou para a auto-proclamação após receber a ordem do vice presidente dos EUA; que está a articular todos os seus passos com sinistras figuras como Michael Pompeo ou John Bolton e que tem o acalorado apoio do governo israelita.

Não há hipocrisia ou oportunistas equidistâncias que consigam esconder o que está em causa. Bem pode António Costa proferir acalorados discursos sobre os perigos do fascismo, ou Catarina Martins fazer exercícios de equilibrismo político para esconder o seu objectivo apoio ao golpe, que não conseguirão fugir aos inexoráveis argumentos do tempo e da verdade. Esses demonstrarão que a luta contra o fascismo e pela paz passa por condenar o golpe e, sem tibiezas, estar ao lado dos que lhe resistem. É uma questão de decisão!




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