Talvez?
«Se o salário mínimo poderia ter aumentado mais?» A pergunta (mais ou menos nestes termos) foi feita pelo próprio Ministro do Trabalho e da Segurança Social, em reacção à declaração do insuspeito Presidente do Conselho Económico e Social que, em carta dirigida aos parceiros sociais, afirmou que teria sido possível definir-lhe um valor mais elevado «como os sindicatos tinham sugerido e algumas entidades patronais tinham chegado a admitir».
Só não acrescentou que o PCP fez a proposta na Assembleia da República. Mas isso já seria demais. Adiante.
O Ministro perguntou e respondeu. Respondeu com um «talvez, mas nós temos que salvaguardar o consenso».
Este «talvez», revelando a má consciência de Vieira da Silva e do Governo do PS, e daqueles que, com eles, se resignaram aos 600€, desmente o próprio argumento do Ministro. É que, como a vida vem mostrando, e o Presidente do CES agora confirmou, se há opinião alargada na sociedade portuguesa, é a de que o salário mínimo nacional está, não apenas muito aquém das necessidades dos trabalhadores que o auferem, como aquém das possibilidades e, ainda por cima, se fosse mais aumentado contribuiria para o crescimento da economia e do emprego, sem avultado investimento público.
Mas esse «talvez», mais as explicações que lhe vêm associadas, revela ainda que, tal como o PCP tem vindo a afirmar, também nesta matéria, só não se vai mais longe porque o Governo do PS não quer. Não quer desamarrar-se dos compromissos que tem com o grande capital. Não quer dizer «não» aos que furam o consenso, esse sim generalizado, da importância da valorização, a sério, do salário mínimo nacional.
Também é por isso que, à pergunta se é preciso avançar, não se pode responder «talvez». É forçoso responder «sem dúvida». Avançar pelos direitos de quem trabalha. Avançar com o PCP e a CDU.