«Isto não é um incêndio»

Margarida Botelho

É um cartaz impressionante: a imagem de um incêndio a consumir a placa de sinalização do IC8 para Pedrogão Grande, com garrafais letras brancas - «isto não é um incêndio. Isto é a morte de dezenas de pessoas. Isto é uma floresta desordenada. Isto é o Estado a falhar.»

«Isto» podia ser a campanha eleitoral dos partidos que andam por aí a proclamar o falhanço do Estado. Mas não: «isto» é a mais recente auto-promoção da SIC Notícias.

A série é composta por mais quatro vídeos: «isto não é uma invasão», sobre imigrantes da América Latina, «isto não é uma guerra», sobre a Síria, «isto não é uma eleição», sobre o Brasil, «isto não é uma tourada», sobre isso mesmo.

É brilhante, como frequentemente os profissionais de imagem da SIC são. A estação justifica esta auto-promoção com a necessidade que as notícias têm de enquadramento, o que é certíssimo. Para isso é que existem meios de comunicação social, jornalistas, códigos deontológicos e regras de objectividade, em vez da selva de boatos e campanhas pagas que existiriam sem eles. Ou não é?

Com esta campanha, a SIC deu um belo contributo para as aulas dos futuros cursos de ciências da comunicação sobre como era a ofensiva ideológica em 2019. Consagra como certeza indesmentível uma tese central do PSD e do CDS, que procuram associar os problemas causados pela política de direita dos sucessivos governos ao suposto «falhanço» do Estado. Dizem-no sobre o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública, a conservação de infra-estruturas ou a protecção civil.

Pinto Balsemão deve dormir feliz quando vê a sua SIC cumprir tão brilhantemente o papel para a qual a criou: dizer o que ele e os seus acham que tem que ser dito, sem mexerem uma palha e cheios de credibilidade científica. «Isto» não é jornalismo.




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