O Agronegócio, a traços largos

Jorge Messias

«É forçoso constatar que o governo se colocou ao serviço da classe dominante e dos mercados financeiros globalizados. Somente uma forte reacção popular terá capacidade para modificar este panorama que hoje não oferece perspectivas a uma população de mais de 177 milhões de habitantes entre os quais são poucos os que podem dormir com a tranquilidade de quem tem saúde, trabalho e comida!...» (Alain Simi, Um olhar sobre a conjuntura política e económica do Brasil”).

«É um erro profundo acreditar-se que os mais importantes sectores da economia sejam, apenas, conduzidos pelo capital financeiro. Actualmente, todos os campos empresariais estão interligados e estreitamente unidos ao imperialismo. É esta a explicação para a capitulação geral da burguesia face ao modelo neoliberal e ao FMI… A revolução brasileira que se avizinha vai unir numa só a revolução social e a libertação nacional, numa única Revolução Socialista!» (Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconómicos, 2013).

«A acumulação capitalista desenrola-se num padrão muito desigual, com consequências importantes para a natureza e a intensidade da luta de classes. Além disso, as reacções particulares dos trabalhadores e, sobretudo, do Estado capitalista à situação geral da economia, moldam o grau em que a luta de classes se intensifica…» (James Petras, Universidade de Binghamenton, USA).

O agronegócio tem vindo a revelar-se como pilar básico da Nova Ordem Mundial. É, sobretudo, através do seu desenvolvimento que a máquina dos monopólios reforça os centralismos das suas técnicas de exploração e impõe a sua tirania, aparentando ter força para fazer a historia recuar.

Assim se caminha para o saque total da terra e dos bens que ela produz. O que afinal o agronegócio neoliberal se propõe promover é a apropriação total da propriedade não-monopolista, a destruição do sistema democrático e o retorno aos tempos do latifúndio, da escravidão e de uma humanidade condenada à morte e talhada segundo os interesses dos poderosos. Tão simples quanto isto: a Nova Ordem Mundial passa pela universalização do fascismo; e uma das mais destrutivas armas do seu arsenal é, precisamente, o agronegócio.

A teia criminosa de intrigas assim criada é de tal modo densa que, muitas vezes, ultrapassa a nossa capacidade de compreensão. Mas todos nós, comunistas ou democratas honestos, sabemos que o entendimento da realidade é ponto de partida para todas as lutas. E nós vamos continuar a lutar e vamos vencer o imperialismo capitalista. Uma luta que naturalmente exige a denúncia e a desmontagem das principais estratégias dos nossos inimigos de classe.

Em Portugal, 40 anos decorridos sobre o 25 de Abril, o agronegócio perfila-se cada vez mais claramente como uma séria ameaça aos progressos conquistados pelo povo e pelo sistema democrático. A economia está destruída, a soberania, cativa dos monopólios, as finanças públicas pedem esmola. Para o capitalismo na sua fase suprema, ainda existe entretanto um longo caminho a percorrer: há que destruir o que resta do Estado social, os vestígios da Reforma Agrária, os direitos laborais, o aparelho autárquico, o Serviço Nacional de Saúde, etc., etc. Os grandes capitalistas e os seus aliados da Nova Ordem Mundial têm de ser cada vez mais ambiciosos e empreendedores. É por isso que as etapas para a reconstrução do fascismo começam a ser percorridas sem disfarces, à vista desarmada.

O Vaticano, diga-se de passagem, é o grande factor estruturante do agronegócio português e mundial. São bancos ligados ao mundo católico financeiro (tal como é o caso do BES, do Santander ou da Union des Banques) que figuram na primeira linha dos fraudulentos contratos futuros, prato forte do agronegócio; são piedosos banqueiros, como os do BCP que preparam os terrenos para a formação de capitais financeiros jamais imaginados; são os illuminati do grupo Jerónimo Martins que investem centenas de milhões nas redes de distribuição do agroalimentar; é o Vaticano que, contra ventos e marés, abençoa de cruz as sementes transgénicas, causas imediatas da doença, sofrimento e morte de tantos milhões de seres; são ONG católicas e de outras confissões (as principais, nem todas!) os agentes que mais lucram com a fome e a miséria, tal como o atestam os Bancos Alimentares, as Ordens Religiosas ou as Fundações Filantrópicas.

A hierarquia da Igreja nada confessa acerca de si mesma. Soma e segue. Deixa andar…

 



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