Rejeitar o pacto de agressão é a melhor maneira de celebrar Abril

«Nada está perdido»

Jerónimo de Sousa participou, domingo, na Freguesia da Parede, num almoço de celebração do 25 de Abril, onde apelou à derrota do pacto de agressão e à construção de uma alternativa para o País.

Abril não foi só um acto de liberdade

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Para o Secretario-geral do PCP, a celebração do 25 de Abril realiza-se num quadro de «inquietações», «perigos» e «ameaças sérias». «Passados 39 anos, com tudo o que foi a política de direita, de recuperação capitalista, ainda persistem na destruição de Abril, acto e processo que conseguiu transformar num ano aquilo que há quase 40 anos andam a destruir», acusou Jerónimo de Sousa, salientando que, apesar de toda a ofensiva, a Constituição da República Portuguesa, sucessivamente revista, «consagra aquilo que são os ideais e os valores de Abril».

«Abril não foi só um acto de liberdade, que o foi, de eleições livres, de existência de partidos políticos, de direito a manifestação e de reunião. Com Abril passou-se a ter direito a um salário digno, a um salário mínimo, a ter férias e a subsídio de férias, à saúde, à segurança social, à educação, direito a ter direitos que hoje estão claramente ameaçados com esta política e este Governo», reforçou.

Ofensiva

O Secretário-geral do Partido acusou o Governo PSD/CDS de persistir «na política de direita, que durante os últimos anos tem prevalecido em Portugal», e que procura «fazer um ajuste de contas com os valores de Abril». «Passados 39 anos, podemos dizer que ofensiva sempre houve, de há 37 anos a esta parte. O problema é que nunca como hoje essa ofensiva foi tão longe», criticou, referindo-se ao pacto de agressão assinado entre as duas troikas, nacional e estrangeira, e que «veio impor ao nosso país medidas profundamente dramáticas que podem levar a recuos e a retrocessos dramáticos».

«O pacto de agressão não é um instrumento qualquer, é uma matriz, precisa e concisa, que rouba direitos aos trabalhadores, que fala em privatizações, em perda da independência, que ataca a Administração Pública e os seus trabalhadores, que ataca o Serviço Nacional de Saúde», enumerou Jerónimo de Sousa, lembrando que passados dois anos da aprovação do pacto de agressão a «dívida aumentou para níveis insuportáveis», o «problema do défice não se resolveu» e, para além do encerramento de muitas micro, pequenas e médias empresas, «temos mais de um milhão e 500 mil desempregados em Portugal, 40 por cento dos quais são jovens».

Lutar

Neste sentido, o PCP considera que «a melhor celebração que poderíamos fazer em Abril era a de rejeição e derrota deste pacto de agressão, arma de destruição massiva que agride a vida de tantos portugueses e cria tanto drama e tragédia a muitas famílias». «Sem a derrota do pacto de agressão, sem a ruptura com a política de direita, não há uma solução duradoura para o nosso País», salientou Jerónimo de Sousa, dizendo, com orgulho, que o PCP esteve sempre «na frente do combate, acompanhando os trabalhadores, os pequenos e médios agricultores, os pequenos e médios comerciantes, os trabalhadores da Administração Pública, os militares, as forças de segurança, e tantos e tantos homens e mulheres que não desistiram e que continuam a lutar».


Retomar os valores de Abril

No almoço que se realizou na Freguesia da Parede, Jerónimo de Sousa lembrou que o PS, que realizou um congresso no passado fim-de-semana em Santa Maria da Feira, encontra-se numa «contradição insanável», ao falar de emprego e de crescimento, mantendo o pacto de agressão. «Não dá a bota com a perdigota. Como é que podemos acreditar neste discurso: mais crescimento, mais emprego, mantendo o pacto de agressão?», interrogou, dizendo que é preciso, em primeiro lugar, rejeitar o pacto de agressão e renegociar a dívida com a troika, «nos seus prazos, nos seus montantes, nos seus juros, procurando saber aquilo que é legítimo e que temos de pagar e aquilo que não é legítimo».

Depois, «é importante devolver ao País o que é do País: as suas empresas, os seus sectores» e «devolver os direitos, os salários e as pensões que foram roubados aos trabalhadores e pensionistas», sendo esta última, na opinião do Secretário-geral do PCP, uma «medida social justa» e de «alcance económico», porque «hoje o drama dos pequenos e médios empresários, situados no mercado interno, é não terem possibilidade de vender, porque as pessoas não têm meios para comprar».

«Acreditamos que nada está perdido», afirmou, concluindo: «Com a nossa luta e participação, com a nossa intervenção e com a unidade dos democratas e patriotas», o pacto de agressão será derrotado e construída a alternativa para retomar os valores de Abril.



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