Manobra repressiva
Três dirigentes do Partido Comunista dos Povos de Espanha e da sua organização juvenil foram detidos e apresentados à Audiência Nacional, dia 15, em Madrid, sob acusação de terrorismo.
Polícia utilizou escutas para acusar dirigentes do PCPE
José Iván Fernández, membro do Comité Central do PCPE, e Vanesa García Rodríguez, dirigente estudantil, foram detidos na véspera, dia 14, na nova sede do partido na localidade de Candás, município de Carreno, nas Astúrias. Ambos foram candidatos do partido às recentes eleições municipais em Carreno, onde o PCPE conseguiu eleger um representante.
Por sua vez, ao saber-se procurado pelas autoridades, Sergio Navas, secretário-geral da juventude do partido e representante estudantil no Conselho de Governo das Astúrias, compareceu voluntariamente na esquadra, onde lhe foi comunicada a acusação, comum aos seus camaradas, de lançar explosivos contra duas caixas multibanco, factos assinalados pela polícia em 15 de Janeiro último, durante uma manifestação contra despedimentos nas localidades de Riaño e Lada, no município de Langreo.
A Brigada de Informação do Comissariado de Polícia de Gijón deteve ainda outros dois militantes, que foram deixados em liberdade após prestarem declarações.
Todos negaram terminantemente qualquer implicação nos distúrbios, no entanto, as autoridades judiciais locais não só mantiveram a acusação como decidiram qualificar tais actos como «terrorismo», de modo a entregar os três primeiros suspeitos à Audiência Nacional.
Porém, a maquinação não resultou. O juiz de instrução, Eloy Velasco, decidiu libertar os acusados, considerando que os factos em causa não configuram crime de terrorismo.
O advogado de defesa congratulou-se com a decisão, mas exigiu que a investigação seja levada até ao fim de modo a dissipar qualquer suspeita sobre os acusados. Tanto mais, acrescentou Raúl Martínez Turrero, que o relatório da polícia afirma que não é possível identificar os autores das destruições, sendo que a investigação se baseia unicamente em escutas telefónicas, as quais terão permitido determinar que, na data da ocorrência, os visados se deslocaram a Langreo para apoiar os trabalhadores vítimas de despedimento numa unidade do grupo industrial Duro Felguera.
Para a direcção do PCPE, a tentativa de julgar dirigentes do partido na Audiência Nacional – «esse tribunal especial de ordem pública» cuja dissolução imediata exige – constitui «um salto qualitativo» na «campanha de criminalização da luta dos comunistas».
«O sistema sabe que é incapaz de satisfazer as necessidades mais elementares da maioria da sociedade e que – como o único cenário de futuro que contempla é o aumento da exploração e a eliminação de todos os direitos conquistados ao longo de anos com a luta dos trabalhadores – só lhe resta aumentar a repressão contra os elementos mais organizados e conscientes da classe operária, a juventude e os sectores populares», afirmou, dia 16, em comunicado, a direcção do PCPE.