Nova-iorquinos e californianos exigem nas ruas

«Os ricos que paguem a crise»

Mi­lhares de pes­soas ma­ni­fes­taram-se, quinta-feira e sexta-feira, em Nova Iorque e na Ca­li­fórnia, contra os cortes or­ça­men­tais e exi­giram que sejam os res­pon­sá­veis e be­ne­fi­ciá­rios da crise a pagar a fac­tura.

«Na longa lista da “aus­te­ri­dade” não entra o ca­pital fi­nan­ceiro»

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A pesar de terem sido im­pe­didos de se apro­xi­marem de Wall Street, cerca de dez mil nova-ior­quinos con­vo­cados pelo mo­vi­mento sin­dical e por ou­tras or­ga­ni­za­ções po­lí­ticas e so­ciais mar­charam pelas ruas ad­ja­centes ao edi­fício da Bolsa de Va­lores. A pa­lavra de ordem que mais se ouviu foi «os ricos que pa­guem a crise», já que, de­fen­deram os par­ti­ci­pantes, con­tras­tando com os be­ne­fí­cios ar­re­ca­dados pelo ca­pital fi­nan­ceiro, os tra­ba­lha­dores estão a ser alvo de um feroz ataque aos seus ren­di­mentos e di­reitos.

Pro­fes­sores, fun­ci­o­ná­rios pú­blicos, imi­grantes ou es­tu­dantes con­testam os cortes or­ça­men­tais im­postos pelo pre­si­dente da Câ­mara de Nova Iorque. No total, Mi­chael Blo­om­berg pre­tende poupar 600 mi­lhões de dó­lares des­pe­dindo ou em­pur­rando para a re­forma an­te­ci­pada cinco a seis mil do­centes e au­xi­li­ares, en­cer­rando cor­po­ra­ções de bom­beiros e es­colas, re­du­zindo drás­ti­ca­mente o fi­nan­ci­a­mento de pro­gramas so­ciais de apoio ao en­sino ar­tís­tico e ao des­porto, de com­bate à vi­o­lência do­més­tica, de pro­moção da in­te­gração dos sem-abrigo, de in­cen­tivo ao em­prego e à re­qua­li­fi­cação pro­fis­si­onal, etc..

Na longa lista da «aus­te­ri­dade» de Blo­om­berg, acu­saram os ma­ni­fes­tantes, não entra o ca­pital fi­nan­ceiro, cujos lu­cros e dis­tri­buição dos di­vi­dendos pelos exe­cu­tivos e ac­ci­o­nistas têm vindo a crescer. O Mayor ar­gu­menta que taxar mais se­ve­ra­mente a grande bur­guesia seria con­tra­pro­du­cente para a re­cu­pe­ração eco­nó­mica, mas muitos tra­ba­lha­dores nova-ior­quinos já não aceitam esta jus­ti­fi­cação e exigem que a pros­pe­ri­dade da classe do­mi­nante seja tida em conta na hora de pagar a fac­tura da crise ca­pi­ta­lista.

No centro dos pro­testos es­teve igual­mente a de­fesa dos di­reitos la­bo­rais e sin­di­cais. Em 18 Es­tados norte-ame­ri­canos, o braço po­lí­tico do ca­pital pro­cura que­brar a es­pinha ao mo­vi­mento sin­dical fa­zendo aprovar leis que li­mitam a or­ga­ni­zação e acção das es­tru­turas re­pre­sen­ta­tivas dos tra­ba­lha­dores e ar­rasam a con­tra­tação co­lec­tiva.

 

Ca­li­fórnia em luta

 

Já na Ca­li­fórnia, nas ci­dades de Sa­cra­mento, Los An­geles e San Diego, os pro­testos saíram à rua dia 13, e foram li­de­rados pelos pro­fes­sores e alunos, que nãos só re­jeitam os cortes im­postos no sector nos úl­timos três anos, na ordem dos 20 mil mi­lhões de dó­lares, e o des­pe­di­mento de cerca de 30 mil do­centes, como não estão dis­postos a su­fragar novas me­didas de «aus­te­ri­dade».

O go­ver­nador Jerry Brown pla­neia pros­se­guir a po­lí­tica de as­fixia fi­nan­ceira do en­sino pú­blico agra­vando as con­sequên­cias co­nhe­cidas – des­pe­di­mento de fun­ci­o­ná­rios, au­mento das turmas, en­cer­ra­mento de es­ta­be­le­ci­mentos – fri­saram os ca­li­for­ni­anos, para quem é ina­cei­tável a re­cusa de Re­pu­bli­canos e De­mo­cratas em au­mentar a carga fiscal sobre o grande bur­guesia.

 

Obama quer mais dí­vida

 

Os pro­testos dos tra­ba­lha­dores norte-ame­ri­canos ocorrem quando o pre­si­dente dos EUA pres­siona os de­pu­tados e se­na­dores para a ne­ces­si­dade de au­mentar o tecto má­ximo es­ta­be­le­cido para o en­di­vi­da­mento pú­blico este ano, 14,2 mil mi­lhões de dó­lares.

O go­verno adoptou, en­tre­tanto, me­didas ex­tra­or­di­ná­rias para ga­rantir os com­pro­missos bá­sicos da ad­mi­nis­tração, mas teme que se os le­gis­la­dores não ce­derem no cres­ci­mento da dí­vida, o Es­tado possa en­trar em in­cum­pri­mento.



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