Islandeses reiteram não à dívida da Banca

De cabeça erguida

O povo islandês resistiu às pressões e ameaças, recusou a chantagem e renovou maioritariamente o «não», já dado em Março de 2010, ao pagamento de uma dívida criada pela banca privada.

O capital que engordou com a especulação deve pagar a crise

O resultado do referendo realizado, sábado, 9, na Islândia, pequeno país com cerca de 320 mil habitantes, foi uma lição de dignidade e coragem de um povo que defende intransigentemente os seus interesses contra a extorsão do grande capital.

No espaço de um ano, uma maioria clara de eleitores (59,1%) voltou a dizer «não» a um acordo cozinhado pelos partidos do centro-esquerda que dominam o parlamento, que previa o reembolso aos governos holandês e britânico de 1300 milhões de euros e 2350 milhões de libras (cerca de 2656 milhões de euros), respectivamente.

Depois de no ano passado semelhante tentativa ter sido chumbada por 93 por cento dos votantes, o governo justificou a sua insistência com o facto de o actual acordo ser muito mais favorável, já que a taxa foi reduzida de 5,5 por cento para três por cento no caso da Holanda e para 3,3 por cento no caso do Reino Unido.

De qualquer modo, mesmo sem contar os juros, tal significaria um encargo à volta de 12 200 euros por habitante, isto num país que já foi forçado a reduzir a despesa pública em dez por cento do PIB, onde a moeda foi desvalorizada em 40 por cento, o desemprego ultrapassou os nove por cento e o consumo diminuiu 20 por cento.

Face à catástrofe económica causada pela falência de um sistema financeiro hipertrofiado, dominado por três bancos privados, a maioria dos islandeses considera legítimo não pagar mais dívidas criadas pelo grande capital. Tanto mais que não é verdade que «todos» sejam culpados ou que «todos» tenham vivido acima das suas possibilidades.

Durante os anos em que a Banca privada engordou à custa de negócios especulativos, como era o caso do banco Icesave, que atraiu capitais de depositantes holandeses e britânicos pagando juros superiores a cinco por cento, as desigualdades na ilha agravaram-se como nunca antes. Se em 2001, quando os principais bancos eram ainda do Estado, um por cento da população mais rica era detentora de 7,5 por cento da riqueza produzida, em 2007, em pleno boom especulativo, passou a deter 20 por cento.



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