Outubro presente nas lutas de hoje
Ao mesmo tempo que se empenha nas múltiplas e urgentes tarefas colocadas pela gravidade da ofensiva em curso contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo, o PCP assinala o 93.º aniversário da revolução de Outubro.
Não se pode perder de vista o projecto de construção do socialismo
Uma das iniciativas comemorativas deste aniversário foi o almoço realizado na segunda-feira no refeitório da sede nacional do PCP, em Lisboa. Como sempre acontece, ali conviveram dezenas de funcionários e colaboradores da estrutura central do Partido.
Este ano a intervenção esteve a cargo de Albano Nunes, do Secretariado do Comité Central, que começou por lembrar que o 93.º aniversário se assinala no contexto daquela que é a «mais violenta ofensiva depois do 25 de Abril contra os trabalhadores, as suas condições de vida e os seus direitos». Depois de a caracterizar, o dirigente comunista realçou que esta ofensiva coloca ao PCP «grandes responsabilidades e desafios» – impõe aos seus militantes uma «grande persistência na luta, obriga a uma grande tensão de esforços de direcção para conjugar e integrar na nossa intervenção direcções de trabalho e tarefas tão variadas como são a luta de massas, a intervenção institucional, a luta eleitoral, o reforço do Partido».
Albano Nunes destacou, em seguida, a necessidade de ter sempre a consciência de que – e salvo «desenvolvimentos imprevisíveis para os quais o Partido tem de estar sempre preparado» – a alternativa «não está ao virar da esquina, antes tem de ser pacientemente construída desenvolvendo a luta de massas e reforçando o Partido». Para depois acrescentar: «Nem podemos subestimar as pequenas tarefas concretas e imediatas que tecem a ligação do Partido à classe operária e às massas, nem perder de vista o nosso ideal e o projecto de construção em Portugal de uma sociedade socialista e comunista».
Uma evocação que faz sentido
Para Albano Nunes, «faz todo o sentido esta bela tradição do PCP de comemorar o 7 de Novembro e evocar o significado histórico universal da Revolução de Outubro, as suas grandiosas realizações, o gigantesco avanço libertador que significou para o mundo». Como faz sentido também «parar um pouco para reflectir sobre a epopeia de construção de um novo tipo de sociedade, voltados para o futuro, procurando inspiração e lições úteis à nossa intervenção transformadora e revolucionária».
Evocar esta revolução é, aliás, «evocar as próprias raízes do nosso Partido e sublinhar uma componente fundamental da sua identidade comunista». O PCP é produto do desenvolvimento do movimento operário português e da sua libertação da tutela ideológica da pequena burguesia (anarquista ou reformista), pelo que é «inseparável da primeira revolução socialista vitoriosa e do eco das salvas do Aurora que despertaram a consciência e estimularam a energia revolucionária do proletariado europeu e dos povos oprimidos de todo o mundo».
Os comunistas portugueses, realçou, «devem muito à revolução de Outubro, ao partido bolchevique, ao génio de Lenine, à política internacionalista dos comunistas e do povo soviético. «Nunca o esqueceremos.»
Não há impossíveis
Depois de destacar as conquistas fundamentais da revolução e as consequências das derrotas do socialismo das décadas de 80 e 90 do século passado (ver caixa), Albano Nunes chamou a atenção para uma lição que se deve extrair desta revolução, bem como da revolução de Abril: «vale sempre a pena lutar e – com avanços e recuos, com vitórias e derrotas – não há impossíveis no caminho da liberdade, do progresso social e do socialismo».
O mais importante, prosseguiu, é que o Partido «esteja lá onde estão as massas, a começar pelas empresas e locais de trabalho, sempre a organizar e a apontar o caminho da luta», acrescentou Albano Nunes. Para o dirigente, ao mesmo tempo que «nos empenhamos nas tarefas urgentes que nos são impostas pela violência da ofensiva», há que fazer como ensinou Lénine: «Olhar sempre para além da conjuntura e ter sempre presente o Programa do Partido, o objectivo de uma democracia avançada, a perspectiva do socialismo.»
O capitalismo não é «reformável» nem «civilizável», afirmou Albano Nunes, para quem o único limite que conhece é «o que lhe é imposto pela resistência e pela luta dos trabalhadores, dos povos, dos comunistas e das forças progressistas de todo o mundo». Luta que, no imediato, passa por derrotar a ofensiva; pela manifestação do próximo dia 20 no âmbito da campanha «Paz Sim! NATO Não!» e pela greve geral de dia 24. «Hoje como sempre, é assim que evocamos Outubro.»
À conquista do céu
Na sua intervenção, Albano Nunes lembrou o «empreendimento pioneiro que, após milénios de sociedades baseadas na exploração e opressão de classe, partiu à “conquista do céu”, à edificação de uma sociedade sem classes antagónicas, sem exploradores nem explorados». Apesar de Marx e Engels terem dado «sólidos fundamentos teóricos», foi preciso «descobrir quase tudo, passo a passo, tanto na elaboração teórica como na actividade prática da construção socialista». E isto foi feito «não numa redoma, mas em combate permanente».
Albano Nunes realçou ainda que os «êxitos, realizações e solidariedade» da URSS «salvaram a Humanidade da barbárie nazifascista», facto que a reacção, numa «frenética revisão anticomunista da História, apaga, nega e calunia». «Nós, comunistas – sem ignorar erros, deformações e graves infracções aos valores e ao projecto comunista que conduziram às trágicas derrotas do socialismo – não só não esquecemos, como valorizamos e estudamos para aprender com as experiências do mais audacioso e grandioso empreendimento libertador de sempre.»
O processo de edificação do socialismo revelou-se mais «complexo, demorado e acidentado do que o previsto», ao passo que o capitalismo «revelou capacidades de reprodução, adaptação e recuperação inesperadas», afirmou. Se a vitória de Outubro conduziu a grandes avanços libertadores, também a restauração do capitalismo na URSS «não podia deixar de ter consequências dramáticas opostas».
A actual e perigosa ofensiva imperialista resulta do «enfraquecimento do movimento comunista e operário e da correlação de forças desfavorável que a destruição da URSS determinou». A crise estrutural e sistémica do capitalismo confirma o que o PCP sublinhou no seu XVIII Congresso – a necessidade e a urgência do socialismo.