Por salários e direitos, contra «reforma de direita»

Frente Comum apresenta propostas

Um au­mento de 50 euros para todos os fun­ci­o­ná­rios pú­blicos e a re­vo­gação da le­gis­lação «da re­forma de di­reita na Ad­mi­nis­tração Pú­blica» con­tida no PRACE foram as rei­vin­di­ca­ções cen­trais apro­vadas, dia 8, pela co­or­de­na­dora da Frente Comum.

 

Os ata­ques aos di­reitos «agra­varam-se de forma brutal»

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Reu­nida em Lisboa, a co­missão co­or­de­na­dora da Frente Comum dos Sin­di­catos da Ad­mi­nis­tração Pú­blica aprovou um «Pro­jecto de Pro­posta Rei­vin­di­ca­tiva Comum para 2011», que se en­contra agora em fase de dis­cussão, nos lo­cais de tra­balho. O re­sul­tado será apu­rado no dia 22, pela ci­meira sin­dical, cujas con­clu­sões serão en­tre­gues ao Go­verno, no mesmo dia.

Sa­li­en­tando que os di­reitos e as con­di­ções de vida e de tra­balho dos tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Pú­blica «agra­varam-se de forma brutal com o an­te­rior e o ac­tual go­vernos do PS», o pro­jecto propõe uma ac­tu­a­li­zação de 50 euros em todas as po­si­ções re­mu­ne­ra­tó­rias e em todas as pen­sões, ac­tu­a­li­za­ções do sub­sídio de re­feição e, entre ou­tras ma­té­rias, mais quatro por cento nas res­tantes pres­ta­ções pe­cu­niá­rias. A FCSAP lem­brou que, com as suas pro­postas, pre­tende com­pensar as perdas de 6,8 por cento do poder de compra dos fun­ci­o­ná­rios da Ad­mi­nis­tração Pú­blica, desde o ano 2000.

Quanto aos di­reitos ad­qui­ridos, ge­ne­ri­ca­mente, as pro­postas re­clamam «a re­vo­gação e subs­ti­tuição da le­gis­lação da re­forma de di­reita, na Ad­mi­nis­tração Pú­blica, re­sul­tante da im­ple­men­tação do Pro­grama de Re­es­tru­tu­ração da Ad­mi­nis­tração Cen­tral do Es­tado»

A co­or­de­na­dora propõe a cor­recção ime­diata de 14 si­tu­a­ções que clas­si­fica como «mais graves», no­me­a­da­mente a «re­po­sição do vín­culo pú­blico de no­me­ação»; a re­gu­la­ri­zação de todas as si­tu­a­ções de pre­ca­ri­e­dade», pro­ce­dendo-se a con­cursos e à in­te­gração nos qua­dros de todos os que de­sem­pe­nham fun­ções de tra­balho per­ma­nente; a rein­tro­dução dos qua­dros de pes­soal, em vez dos ac­tuais mapas; um alar­ga­mento da con­sa­gração, para todos, dos re­gimes de ho­rá­rios de tra­balho, de acordo como o De­creto-Lei 259/​98, de 18 de Agosto; a re­po­sição do ho­rário de tra­balho noc­turno entre as 20 e as sete horas; que os des­contos para a Caixa Geral de Apo­sen­ta­ções e para a ADSE, dos tra­ba­lha­dores em re­gime de ce­dência passem a in­cidir sobre a to­ta­li­dade das re­mu­ne­ra­ções au­fe­ridas; um alar­ga­mento da ADSE a todos os tra­ba­lha­dores, de­sig­na­da­mente aos das EPE e em­presas mu­ni­ci­pais; a re­gu­la­men­tação e apli­cação de todos os su­ple­mentos re­mu­ne­ra­tó­rios, de­sig­na­da­mente de risco, pe­no­si­dade e in­sa­lu­bri­dade; a re­vo­gação do SI­ADAP e o es­ta­be­le­ci­mento de uma ava­li­ação sem «quotas»; a pu­bli­cação obri­ga­tória dos Acordos de En­ti­dade Em­pre­ga­dora Pú­blica ne­go­ci­ados e acor­dados, sem de­pen­deram da «ho­mo­lo­gação» do Mi­nis­tério das Fi­nanças; a atri­buição do cré­dito legal de horas para o exer­cício da ac­ti­vi­dade sin­dical; res­peito pela au­to­nomia e or­ga­ni­zação dos sin­di­catos; o cum­pri­mento efec­tivo do di­reito à for­mação pro­fis­si­onal e con­tínua; e a re­cu­pe­ração e con­tagem do tempo de ser­viço hoje não con­si­de­rado para efeitos de pro­gressão nas car­reiras e de re­po­si­ci­o­na­mento sa­la­rial.


Acção ime­diata


Par­ti­cipar ac­ti­va­mente na ma­ni­fes­tação de 29 de Se­tembro, da CGTP-IN, e con­ti­nuar a de­sen­volver a luta por me­lhores con­di­ções de vida e de tra­balho, e contra as in­jus­tiças so­ciais, foram de­ci­sões saídas da As­sem­bleia Geral de Só­cios do Sin­di­cato dos Tra­ba­lha­dores da Função Pú­blica do Sul e Açores, que de­correu na pas­sada sexta-feira, na Casa do Alen­tejo, em Lisboa. Os só­cios apro­varam um pro­grama para a «Acção Rei­vin­di­ca­tiva Ime­diata», en­tregue em se­guida no Mi­nis­tério das Fi­nanças. A as­sem­bleia re­clamou uma ne­go­ci­ação sa­la­rial que per­mita a re­cu­pe­ração do poder de compra; a re­vo­gação dos ac­tuais sis­temas de ava­li­ação de de­sem­penho; a con­tra­tação de quem se en­contra na «mo­bi­li­dade es­pe­cial», para «col­matar as graves faltas de pes­soal», e me­didas «para ir buscar di­nheiro a quem o tem: off-shores, banca, es­pe­cu­lação na bolsa, eco­nomia pa­ra­lela, entre ou­tras».


«Um es­cân­dalo» no INEM


A pro­posta de Acordo Co­lec­tivo de En­ti­dade Em­pre­ga­dora Pú­blica para o Ins­ti­tuto Na­ci­onal de Emer­gência Mé­dica (INEM), apre­sen­tada pelo Con­selho Di­rec­tivo da­quele ins­ti­tuto pú­blico, «é ra­di­cal­mente di­fe­rente do pro­jecto de re­gu­la­mento ini­ci­al­mente apre­sen­tado», pro­testou a Fe­de­ração Na­ci­onal dos Sin­di­catos da Função Pú­blica. Nesse texto consta um «Ar­tigo 17.º», in­ti­tu­lado «Não de­cla­ração de greve no âm­bito e vi­gência do Acordo», onde se re­fere que «o sin­di­cato com­pro­mete-se a não re­correr à greve com vista a obter a mo­di­fi­cação do con­teúdo do acordo», o que é clas­si­fi­cado com «um es­cân­dalo» pela FNSFP/​CGTP-IN, num co­mu­ni­cado de 24 de Agosto.

Con­si­de­rando que, desta forma, o Go­verno propõe «uma norma in­cons­ti­tu­ci­onal», a fe­de­ração clas­si­ficou-a como «pró­pria de um qual­quer Go­verno do re­gime fas­cista der­ru­bado em 25 de Abril de 1974, e in­digna de quem diz de­fender um Es­tado so­cial de Di­reito e de­mo­crá­tico».



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