Ano escolar arranca com ainda mais problemas

Escola pública corre sérios riscos

Devido à falta de investimento e às «medidas que o Governo PS vem impondo na Educação», a escola pública «corre sérios riscos», avisou a Fenprof, comentando o início do ano lectivo.

Image 5677

Após lembrar «a imposição de medidas como o encerramento de mais escolas do 1.º Ciclo e a criação de mega-agrupamentos, a par de outras, não menos gravosas como a alteração de critérios para a constituição de turmas CEF (Cursos de Formação e de Educação), ou a redução do número de professores-bibliotecários», o secretariado da Federação Nacional dos Professores avisou que se o Governo prosseguir com estas políticas, a Fenprof avançará com acções e lutas mobilizando a classe docente.

«Fácil é abrir escolas a bem ou a mal. O pior são os gravíssimos problemas que se estão a viver na abertura do novo ano escolar», disse o Secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, numa conferência de imprensa realizada em Lisboa, segunda-feira, na sede da federação, na data em que arrancou oficialmente o novo ano escolar.

Considerando que o novo ano se iniciou «num quadro extremamente complexo», por culpa das políticas do Governo PS, Mário Nogueira também destacou, como problemas «indisfarçáveis»: o lançamento de mais um processo de avaliação de desempenho que, «no final será avaliado e inevitavelmente alterado»; a manutenção do regime de horário de trabalho dos docentes, «verdadeira aberração pedagógica»; a gestão das escolas, que não sofreu qualquer alteração; as regras para a integração de alunos com necessidades educativas especiais, que se «mantiveram com as claras insuficiências que apresentam»; a falta de pessoal auxiliar, sem que as aposentações tenham sido compensadas; «o arrastamento de uma pseudo-resposta social no 1.º Ciclo», «cujo modelo, apesar de muito criticado e até rejeitado em diversas das suas vertentes», não teve alterações; e uma Acção Social Escolar «que não se reforça num momento de crise social e económica».


Mais cortes


O Orçamento do Estado para o próximo ano é também motivo de grande preocupação da Fenprof. Mário Nogueira recordou estarem previstos cortes na Educação, num País que investe menos 1200 euros por ano e por aluno do que a média dos países da OCDE.

Como foi recordado, Portugal continua a apresentar as mais elevadas taxas de abandono e insucesso escolar, e das mais baixas qualificações dentro da OCDE.

Por tudo isto, mais o alargamento efectivo da escolaridade obrigatória para 12 anos, «não há margem para serem cortadas ainda mais verbas, pois a situação que se vive é já um sub-financiamento», realçou Mário Nogueira.


Concursos sem transparência


A contratação de um número «indeterminado» de professores através da designada «bolsa de recrutamento», e a sua colocação nas escolas, no dia 9 de Setembro demonstraram uma clara «falta de transparência desta fase do concurso», acusou anteontem a Fenprof. «No mínimo é estranho, tratando-se de um concurso público», considerou a federação, num comunicado sobre a não publicação das listas de colocações.

Querendo saber quantos docentes foram colocados e quantos aguardam colocação, a Fenprof considerou intolerável «a opacidade deste processo», mais ainda «tratando-se de emprego público e numa altura em que o desemprego e a precariedade assolam o País».

Também as «ofertas de escola» foram «envoltas num manto de dúvidas e compreensíveis desconfianças». Segundo a federação, vários docentes foram dados como seleccionados em diversos lugares e depois constataram que tal não correspondia à realidade.

A Fenprof também recebeu «denúncias de duvidosos critérios locais de selecção, bem como de duvidosas aplicações dos critérios publicitados para as ofertas de escola».

Os professores foram ainda confrontados com o desrespeito, por parte de algumas autarquias, dos critérios estabelecidos, relativos a contratações para Actividades de Enriquecimento Curricular.

«Como se não bastasse a precariedade, os professores são vítimas de uma administração incompetente e da arbitrariedade de alguns municípios», salientou a Fenprof.



Mais artigos de: Trabalhadores

Frente Comum apresenta propostas

Um aumento de 50 euros para todos os funcionários públicos e a revogação da legislação «da reforma de direita na Administração Pública» contida no PRACE foram as reivindicações centrais aprovadas, dia 8, pela coordenadora da Frente Comum.

 

Elevar a luta, em unidade

A defesa dos direitos e da contratação colectiva, a exigência de melhores salários e a oposição às privatizações, sendo causas comuns, devem permitir a unidade na acção dos diferentes sindicatos, apelou a Fectrans/CGTP-IN.

Greve contra a prepotência

O sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local convocou para segunda-feira, dia 20, uma greve nacional «contra a arrogância e prepotência de um Governo que tudo faz para penalizar os trabalhadores». O STAL/CGTP-IN acusa o Governo PS de prepotência porque...

Carteiros pararam um dia

Os 85 trabalhadores dos Centros de Distribuição Postal (CDP) 1300 e 1400, na Calçada da Boa-hora, em Lisboa, cumpriram, segunda-feira, um dia de greve contra a degradação da qualidade dos serviços que prestam, provocada pelo novo modelo de organização que a...

Luta em Bruxelas

Os trabalhadores dos serviços externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em serviço na secção consular da embaixada de Portugal em Bruxelas estão, desde segunda-feira, em greve ao trabalho, depois das 16.30 horas, contra um horário de trabalho fixado...

PCP e CGTP-IN convergem na luta

Uma delegação da CGTP-IN composta pelo seu Secretário-geral, Manuel Carvalho da Silva, e os membros da Comissão Executiva do seu Conselho Nacional, Deolinda Machado, Joaquim Dionísio e Fernando Gomes reuniu, ontem, a seu pedido, no CT da Rua Soeiro Pereira...

CGTP-IN no «dia de acção» da FSM

A CGTP-IN marcou a sua adesão ao Dia Internacional de Acção, promovido a 7 de Setembro pela Federação Sindical Mundial, com a participação do seu Secretário-geral e outros dirigentes numa distribuição de folhetos, em...