Rendas novas subiram 70,9% em seis anos

O Porta a Porta alerta que o aumento de 2,56% nas rendas previsto para 2027 não reflecte a dimensão da crise da habitação e defende medidas para travar a escalada dos preços e garantir rendas comportáveis.

«Não dá mais para viver assim»

O coeficiente de actualização das rendas para 2027 será de 2,56%, mas o Porta a Porta – Casa para Todos considera que este valor não reflecte a dimensão da crise da habitação. Segundo dados do INE citados pela organização, o preço mediano por metro quadrado dos novos contratos de arrendamento passou de 5,56 euros em 2020 para 9,50 euros em 2026, uma subida de 70,9 por cento.

Em comunicado divulgado a 2 de Setembro, o movimento salienta que a evolução das novas rendas contrasta com a dos contratos já existentes. A aplicação sucessiva dos coeficientes legais entre 2021 e 2026 representou um aumento acumulado de 14,42 por cento, uma diferença de 56,44 pontos percentuais face à subida dos novos contratos.

Para o Porta a Porta, esta disparidade demonstra uma das principais distorções do mercado: «o preço de entrada no mercado está a aumentar a uma velocidade muito superior à das rendas de quem já conseguiu arrendar uma casa».

A organização sublinha que, numa renda de mil euros, a actualização de 2,56% representa mais 25,60 euros por mês, ou mais de 300 euros por ano.

Intensificar a luta por soluções
Perante esta situação, defende quatro medidas: regular e fixar os preços das rendas, para travar a escalada; aumentar a duração dos contratos, novos e em vigor, estabelecendo um mínimo de 10 anos; rever os benefícios fiscais dos grandes senhorios e da especulação imobiliária, direccionando recursos públicos para quem precisa de casa; e reforçar a fiscalização do mercado, combatendo práticas abusivas e garantindo o cumprimento da lei.

O Porta a Porta considera que «não dá mais para viver assim» e anunciou que irá intensificar a luta nas ruas nos próximos meses, defendendo políticas que façam baixar o custo da habitação e garantam que as famílias conseguem pagar a casa onde vivem.

 



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