Médicos contestam concentração de urgências e enfermeiros denunciam falta de profissionais
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) contesta a intenção do Governo de aplicar o modelo de Urgência Regional de Ortopedia em Lisboa e Vale do Tejo, considerando que a concentração de serviços é uma solução «falhada» que não responde à falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O sindicato compara a proposta com as urgências regionais de Obstetrícia já existentes na Península de Setúbal e em Loures-Vila Franca de Xira, apontando o encerramento da Urgência de Obstetrícia do Barreiro e, em alguns dias, da Urgência Regional do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Rejeita igualmente a ideia de concentrar respostas diferenciadas «sem perder a necessária proximidade», considerando existir uma «evidente contradição» nessa opção.
Na Ortopedia, o SMZS-FNAM denuncia que a concentração já praticada em alguns hospitais da Grande Lisboa não foi acompanhada pelo reforço de profissionais, provocando deslocações entre unidades e atrasos nas intervenções. Há, segundo o sindicato, dezenas de doentes a aguardar mais de 24 horas por uma cirurgia ortopédica urgente.
Hematologia em situação crítica
O sindicato alerta igualmente para a situação da Hematologia no Algarve e Baixo Alentejo, onde existem actualmente apenas duas médicas hematologistas, uma em Évora e outra em Portimão-Beja. A médica colocada em Portimão assegura também a resposta no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, abrangendo toda a região, em regime de prestação de serviços e sem equipa de apoio.
O SMZS-FNAM considera «enorme e insustentável» a pressão sobre a profissional e denuncia que, apesar de alertas anteriores, não foram abertas vagas carenciadas nos concursos de 2025 e 2026. «A impassividade do Governo em melhorar a carreira médica e em criar condições de atractividade para o SNS» está, acusa, na origem da situação. O sindicato vai denunciar o caso à Ordem dos Médicos e à Direcção Executiva do SNS e solicitar uma reunião à ULS do Algarve.
Contratação limitada
Também o Quadro Global de Referência do SNS para 2026-2028 merece críticas. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) considera «inaceitável» o atraso de nove meses na sua publicação, que condiciona o planeamento das Unidades Locais de Saúde.
A imposição de um crescimento de até 1,4 por cento do número de trabalhadores em 2026, face a 31 de Dezembro de 2025, significa, na prática, segundo o SEP, a não contratação dos 3000 jovens enfermeiros. A limitação abrange ainda a convolação de contratos existentes e condiciona concursos de promoção.
O sindicato considera igualmente insuficiente a previsão de aumento do quadro de pessoal em apenas 3162 trabalhadores, 1596 em 2027 e outros 1596 em 2028. Em contraste, denuncia o aumento dos gastos com prestações de serviços e concessões, em 14 milhões de euros nos próximos dois anos, e mais 253 milhões para as farmácias.
Para o SEP, a resposta passa pelo reforço das carreiras, da contratação e do investimento no SNS, garantindo capacidade, qualidade e proximidade dos cuidados.




