Forte derrota eleitoral de Merz na Saxónia-Anhalt
A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, venceu no domingo as eleições estaduais da Saxónia-Anhalt, no Leste da Alemanha. A AfD obteve 44 por cento dos votos, face aos 17% da CDU, que dirigia o governo deste Estado há mais de duas décadas. O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) alcançou 9,3 por cento, Os Verdes 8,9 por cento, A Esquerda (Die Linke) 8,6 por cento e a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) 5,3 por cento, entrando pela primeira vez naquele parlamento. Já o Partido Liberal Alemão (FDP) não alcançou os 5 por cento exigidos para entrar neste parlamento estadual. O Estado da Saxónia-Anhalt foi até aqui governado por uma coligação da CDU, SPD e Os Verdes.
Ainda não é claro qual a direcção e o desfecho das negociações que, eventualmente, levem à formação de um novo governo estadual. Ou se, face a um impasse, possam vir a ser realizadas novas eleições. Para já, seguem-se as eleições estaduais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim.
Política de direita explica o resultado
Estes resultados eleitorais são tudo menos inesperados e não caíram do céu. Décadas passadas sobre a denominada “reunificação alemã”, as condições de vida das populações do Leste do país – que antes viviam na República Democrática Alemã (RDA) – não pararam de se degradar, com a desindustrialização, elevadas taxas de desemprego e precariedade, a deterioração dos serviços públicos e do acesso a direitos sociais, que antes eram garantidos.
À investida neoliberal, soma-se a escalada militarista e o aprofundamento do carácter reaccionário e anti-democrático das políticas seguidas, que têm unido nos últimos anos a CDU/CSU, o SPD, os Liberais e os Verdes, assim como a promoção de concepções e forças de extrema-direita. Tudo isto a par do ataque aos que consequentemente defendem a paz, a solidariedade, os direitos, as liberdades, a real alternativa às políticas neoliberais e militaristas.
A política de agravamento da exploração e de concentração da riqueza, aliada ao imenso aumento das despesas militares, tem provocado o ataque aos salários e pensões, aos direitos, aos serviços públicos e ao investimento público em áreas essenciais. No entanto, o grande patronato quer que o Governo federal, da CDU/CSU/SPD, acelere a concretização da sua política de direita, apontando ao ataque à segurança social pública e às pensões, bem como ao assegurar de mais benefícios fiscais aos grupos económicos e financeiros. A AfD converge em questões essenciais com esta política e, como se verificou noutros países com forças desta natureza, a ela se adaptará no exercício de funções governativas.
O crescimento da AfD não está separado da aposta do grande capital alemão na criação de falsas alternativas, que conduzam o descontentamento popular não para a ruptura com a actual política de direita, mas para a sua continuidade e, se possível, agravamento.
Prioridade à mobilização
O Partido Comunista Alemão (DKP) considera que sem abordar as causas que levam ao crescimento da AfD, qualquer tentativa de o enfrentar será inútil. O DKP lembra que a AfD, força política reaccionária, «surgiu da CDU e foi reforçada pelas políticas de guerra e de crise da CDU, do SPD, dos Verdes e do FDP [Liberais]». E alerta: quem quiser efectivamente combater politicamente a AfD deve combater a política que é promovida pela CDU/CSU, SPD, Verdes e FDP, em vez de atacar a maioria dos que votaram na AfD.
Os comunistas alemães apontam como prioridade a preparação e a mobilização para os protestos sociais e contra a guerra calendarizados para as próximas semanas, o que passa desde já por apoiar as mobilizações estudantis contra o serviço militar obrigatório, com expressão já no próximo dia 25, e no dia seguinte, as lutas convocadas pelos sindicatos. As duas manifestações pela paz no próximo 3 de Outubro, em Estugarda e Berlim, são também momentos fundamentais desta luta.




