Entrega do novo cartão é ferramenta para reforçar organização partidária

Foi aprovada no início de Março a resolução Um PCP mais forte. É preciso. É possível. Nela, o Comité Central aponta como prioridade, entre outras, a entrega do novo cartão de membro do Partido. Desde então que este processo está em andamento por todo o País. Ao Avante!, esta semana, chega-nos o exemplo da organização concelhia de Santarém.

Em Santarém, estão entregues 105 dos 186 cartões

Lusa

Sobre a entrega do novo cartão, na resolução colocava-se como objectivos a elevação da militância, a partir de um amplo contacto e conversa individual, mas também a actualização de dados, a clarificação das tarefas que cada um pode assumir e do organismo em que participa, assim como a actualização do valor da quota e a agilização da sua forma de pagamento regular. No fundo, este processo de entrega, devidamente executado, auxiliará o Partido a concretizar os restantes objectivos apontados pela resolução, que tem o reforço do colectivo partidário como objectivo central. Com a entrega do cartão – evitando um simples processo burocrático e favorecendo a conversa individual com todos e cada um dos militantes – seria igualmente possível responsabilizar mais camaradas e garantir que mais membros participem activamente na vida do Partido, estruturar organismos e garantir a ligação destes à vida para que possam cumprir o seu papel de intervenção junto da população e trabalhadores.

Na organização concelhia de Santarém

Espera-se que este trabalho esteja concluído, de forma geral, até ao final deste ano, mas na organização concelhia de Santarém têm-se dado largos passos num processo que avança rapidamente: dos 186 militantes a serem contactos no concelho, 105 foram já abordados e têm na sua posse o novo cartão de membro do Partido.

Este ritmo, conta-nos Tobias Madeira Lopes, membro da concelhia escalabitana, explica-se, em parte, por todo o trabalho prévio que a organização realizou. Mal foi traçada a orientação, mesmo antes da recepção dos novos cartões, começou-se a fazer a actualização dos dados: confirmar moradas, avaliar os novos militantes e os militantes que abandonaram, por diversos motivos, a organização, ou os que já tinham falecido. «Ou seja, quando chegaram os cartões, já estava uma parte considerável do trabalho feito, o que agilizou bastante o processo», conta-nos o militante que assumiu a responsabilidade pela entrega do novo cartão no concelho. «Após isso, foi uma questão de criar grupos de trabalho que assumissem a divisão dos cartões pelas freguesias, pelas organizações e sectores», relata.

«A tarefa está a ser assegurada principalmente pelos membros da concelhia, cada um com a sua freguesia, organização e local de trabalho. São cerca de 12 os camaradas que estão 100 por cento concentrados nesta tarefa. Uns vão fazendo apenas a entrega em si, outros estão apenas responsáveis por agilizar os contactos com os restantes camaradas das organizações e pela centralização», conta ainda. Já o ponto de situação é feito a cada duas semanas, nas reuniões da comissão concelhia, «picando» freguesia a freguesia. «Isto ajuda-nos também a ter uma noção clara de onde temos mais problemas ou mais facilidade em proceder à entrega. Assim, todo este trabalho acaba por estar bastante planificado e orientado», acrescenta.

Agilizar e garantir a recolha da quotização

Sobre o concelho, Tobias Madeira Lopes aponta ainda como «muito boa novidade» o aumento dos militantes que pagam as suas quotas por débito directo. São cerca de 41 – quase metade dos contactados – e se, inicialmente, esta orientação foi recebida com alguma resistência por parte das organizações e camaradas, em Santarém, a adopção de uma postura didáctica sobre este método de pagamento granjeou resultados positivos. «É preciso explicar o que isto significa para o Partido e para os próprios», afirma. Segundo Tobias, para além de todo o esforço burocrático que poupa, garantir que é recebida a quota de todos estes camaradas, todos os meses, com a mesma recorrência, é muito positivo.

O tempo ganho é outro elemento positivo potenciado por esta agilização do pagamento das quotas. Menos camaradas responsabilizados pela recolha da quotização significa «mais espaço para pensar nas iniciativas, mais tempo para distribuir, para estar na rua e nos locais de trabalho, que no fundo é o que precisamos no nosso Partido», explica.

A par desta medida, no concelho, valorizam-se igualmente os passos dados no sentido da actualização do valor da quota e da compra em papel ou de assinaturas da imprensa partidária, como o Avante! e O Militante, que dobraram desde o ano passado e têm-se alargado a amigos do Partido.

Responsabilização

«Santarém é um concelho grande, temos mais de 20 freguesias e uma população muito dispersa. Um problema que muitas vezes enfrentamos é a disparidade entre os números de militantes que temos e, depois, uma capacidade de resposta que acaba por se perder um bocado», revela Tobias. Com este processo, conta, foi possível chegar a todos os cantos do município, chegar a camaradas que não tinham tarefas ou que estavam mais desligados da intervenção do Partido. «Falar com eles, com mais tempo e dedicação, expor-lhes as nossas necessidades, tudo o que temos para fazer, fez com que os camaradas se fossem disponibilizando. Contamos já com muitos mais e acreditamos que surgirão outros que vamos envolver. Reforçamos assim a organização, com mais camaradas activos, mais recrutamento e mais militância. Isto é fundamental para o nosso trabalho», sublinha. «Temos hoje camaradas no extremo do concelho onde era muito difícil chegar, a dinamizar os movimentos de luta, a distribuir nas suas empresas, a reunir, a conseguir actividade», acrescenta.

O processo será demorado, acredita Tobias Madeira Lopes, mas com células de empresa a formarem-se, grupos de trabalho a começarem a reunir, distribuições em locais que não eram antes visitados, «mais tarde ou mais cedo», este processo «vai levar-nos a uma organização mais forte e em condições de responder melhor a qualquer necessidade dos trabalhadores».

 



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