PCP «lembra-se» dos bombeiros todos os dias do ano
Uma delegação do PCP, integrada por Paulo Raimundo, visitou, no dia 10, os Bombeiros Voluntários de Sacavém, em Loures. Para além de melhor se inteirar sobre os problemas e desafios enfrentados pela associação, o Partido deu a conhecer a proposta que fez aprovar na Assembleia da República pelo reforço dos seus direitos.
Palmas não chegam para valorizar bombeiros. São precisos salários e condições de trabalho
No dia 3, por iniciativa e persistência do PCP, a Assembleia da República aprovou um diploma seu que, entre outros elementos, garante aos bombeiros o direito a épocas especiais de exames independentemente do tempo de serviço; mais apoio judiciário, dispensando-os do pagamento das taxas de justiça, entre outros encargos; e o aumento de três para cinco por cento do financiamento da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil ao Fundo de Protecção Social do Bombeiros. Na votação abstiveram-se PSD, CDS e IL.
Estas medidas permitem avançar no reconhecimento de quem assegura o socorro à população. No entanto, não se foi mais longe por oposição do PSD, PS, IL e CDS, que inviabilizaram o reembolso das propinas e taxas de inscrição no Ensino Superior para os filhos dos bombeiros, independentemente do tempo de serviço, bem como a comparticipação em encargos com lares e outros equipamentos de apoio a idosos para bombeiros com pelo menos 15 anos de serviço, e para os seus cônjuges e ascendentes em primeiro grau.
«Coração cheio e bolsos vazios»
«De coração cheio, mas de bolsos vazios», foi assim que Hélder Dias, Adjunto de Comando dos Bombeiros Voluntários de Sacavém descreveu o sentimento de chegar a casa após uma missão. «Custa-lhes [aos outros bombeiros da associação] muito, gostam do que fazem, mas no momento de pagar contas é complicado», acrescentou. Paulo Raimundo reconheceu a situação em que estes profissionais realizam a sua determinante tarefa, certo de que «não se vive apenas de coração cheio».
Durante a visita, os bombeiros receberam a delegação comunista em formatura. Logo ali, o Secretário-Geral teve a oportunidade de lhes dirigir algumas palavras de agradecimento. «Não são as questões financeiras e os salários que vos traz aqui, mas sem isso não se pagam as contas. Bem que precisávamos que fossem mais valorizados e mais reconhecidos. Estamos a trabalhar para isso», garantiu o dirigente que agradeceu aos bombeiros o seu espírito de sacrifício, entrega e de comunidade. Estas palavras de valorização do PCP, assegurou Paulo Raimundo, são válidas durante todo o ano e não apenas no Verão, momento apenas em que «a maioria se lembra dos bombeiros». «Nós lembramo-nos todos os dias do ano, faça chuva, faça calor», salientou.
Valorizar bombeiros e dirigentes
Mais tarde, em declarações à imprensa, o dirigente dirigiu uma palavra de valorização aos dirigentes associativos que trabalham em conjunto com os comandos de bombeiros, tudo gente que precisa de ser «respeitada, valorizada e de financiamento regulado».
«Todos nós batemos palmas aos bombeiros quando acontecem incêndios ou cheias. Mas convenhamos que estas pessoas precisam de ser valorizadas com mais do que palmas. Através dos salários, carreiras, condições de trabalho e pelos equipamentos que têm ao seu dispor», afirmou.




