Gente, não números
«Em Portugal, 10% concentram mais de metade da riqueza nacional. (…) Aumento é dos mais expressivos na UE» – Idealista.
«Lucro dos cinco principais bancos cresce 4,9% até março para 1.279 milhões de euros» – RTP.
«Trabalhar nem sempre evita pobreza. Quase 9% dos empregados em Portugal são pobres» – Eco.
«Em 2024, a taxa de risco de pobreza entre menores de 18 anos foi de 17,6%, acima dos 16,6% observados para o conjunto da população» – Observador.
«Portugal é dos países com horários mais longos e desregulados na UE» – Sapo.
«41% das mulheres fazem turnos, noites ou fins-de semana em Portugal» – Expresso.
«Idade da reforma sobe para 66 anos e 11 meses em 2027» – CNN Portugal.
«Portugal é o quarto país da União Europeia com mais trabalho precário entre os jovens» – Público.
«Salários e habitação levam jovens a emigrar» – TSF.
«Preço das casas com terceira maior subida entre quase 60 países» – Jornal de Negócios.
«Portugueses gastam quase 1.400 euros por ano em saúde e 31% sentem dificuldades em pagar» – Renascença.
«Custo de vida empurra portugueses para a rua: número de pessoas em situação de sem-abrigo aumenta» – SIC Notícias.
Estas notícias publicadas este ano traçam, juntas, um retrato do País após décadas de política de direita. Um país envelhecido, desigual e injusto, onde a pobreza persistente de muitos convive com a riqueza crescente de uns poucos e os direitos que a Constituição consagra são transformados em letra morta para amplas camadas da população.
Foi a este país concreto, o tal que Luís Montenegro garante «estar melhor», que o Governo PSD/CDS – e os seus aliados da IL e também no Chega, independentemente de reviravoltas de última hora – quis impor o pacote laboral para intensificar ainda mais a exploração, agravar a desregulação dos horários, alargar o trabalho extraordinário não pago, facilitar os despedimentos, limitar o direito à greve e à acção sindical, perpetuando um modelo assente em sectores de baixo valor acrescentado e mão-de-obra mal paga e com vínculos precários. É a este povo empobrecido e cada vez mais privado de direitos que ameaça com a Prestação Social Única, que a ser aprovada implicará menos apoios e mais estigmatização. E é aos jovens, a quem já hoje se empurra para a emigração e para o eterno adiamento das suas aspirações, que quer “oferecer” precariedade perpétua e novos obstáculos no acesso aos mais elevados graus de ensino e uma fragilização ainda maior da Acção Social Escolar.
Isto não é um Governo, é uma comissão gestora dos negócios dos donos-disto-tudo. Mas quem cá vive e trabalha é gente e não meras parcelas das contas de somar de uns poucos. A luta continua!




