Laboratórios da guerra e subversão

Luís Carapinha

Os EUA controlam mais de 120 laboratórios em 30 países

As revelações de Tulsi Gabbard sobre os biolaboratórios dos EUA no mundo tiveram um eco reduzido na comunicação social. Gabbard foi, até final da última semana, directora do Gabinete de Informação Nacional dos EUA (ODNI), órgão que supervisiona as 18 agências dos serviços secretos, entre as quais a CIA e a NSA. A informação tornada pública por Gabbard, antes de abandonar o cargo, inclui a “revelação” de que a Casa Branca financiou uma rede de mais de 120 laboratórios biológicos em mais de 30 países.

Destes, cerca de 40 situados na Ucrânia. Esta rede clandestina de laboratórios ligados ao Pentágono (e, também, certamente, à CIA), fora das fronteiras dos EUA, manipulava agentes altamente contagiosos e letais, como o vírus da Ébola, o antraz, a peste e o vírus da SARS. Em vários laboratórios eram realizadas experiências do chamado “ganho de função”, visando tornar os patogénicos mais transmissíveis e contagiosos, com escassa supervisão e transparência, revelam os documentos...

Foi também comprovado que Anthony Fauci, até 2022 director do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e principal conselheiro da Casa Branca na resposta à COVID-19, mentiu ao Congresso sobre as origens da pandemia e o financiamento clandestino de pesquisas de “ganho de função”, nomeadamente, no Instituto de Virologia de Wuhan, na China. Os documentos desclassificados por Gabbard mostram ainda que Fauci promoveu, em articulação com os serviços secretos, uma campanha deliberada de desinformação para afastar a hipótese de uma fuga de laboratório e favorecer a teoria da origem natural do vírus. Esta foi também uma campanha de silenciamento de vozes críticas, através de ameaças e retaliações contra aqueles que contestaram as “verdades vigentes”. A que Biden deu cobertura, como mostra o indulto preventivo para “blindar” Fauci de futuras acusações legais, assinado no último dia do seu mandato presidencial.

Os dados desclassificados vêm corroborar a linha defendida por vários investigadores – entre os quais Jeffrey Sachs que presidiu à comissão científica da revista The Lancet sobre a COVID-19 –, que apontaram como muito provável a responsabilidade da biotecnologia laboratorial norte-americana na origem do vírus.

A confirmação oficial da existência de um número elevado destes laboratórios na Ucrânia – a par de outros países do espaço pós-soviético – vem dar razão às insistentes denúncias da Rússia sobre os programas secretos estabelecidos pelos EUA, no domínio da guerra biológica, junto às suas fronteiras. Alegações que foram desvalorizadas e tratadas pelos média dominantes como campanhas de desinformação e teorias da conspiração. Percebe-se por isso o seu desconforto e quase-silêncio, após as revelações do ODNI – apesar destas representarem apenas uma pequena ponta do icebergue.

O imperialismo sempre esteve na vanguarda em matéria de armas de destruição em massa. Seja na guerra nuclear, química ou biológica – Cuba, por exemplo, apresentou, em 1997, uma queixa formal por agressão biológica.

Na altura em que os EUA acusam o impacto de um desaire, potencialmente estratégico, na guerra contra o Irão (que visou também o BRICS e a China), as revelações sobre os programas subversivos do Pentágono na Ucrânia devem alertar o mundo para os perigos decorrentes da perda de soberania de Kiev e da escalada da guerra na Europa.

 



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