A questão fundamental

Manuel Rodrigues

Como o Avante! titulava em manchete, na edição da semana passada, «eles fazem a guerra, o povo paga, o capital lucra».

A vida comprova-o a cada instante. Desencadeada a guerra pelos EUA e Israel contra o Irão, a que o Governo português, com a sua total submissão ao imperialismo, atrelou o País, para lá dos bombardeamentos, destruição, sofrimento e morte que está a provocar, o mundo (e o País) está a sofrer o impacto da guerra na economia. Aproveitando a circunstância, o grande capital lançou-se em mais uma escalada especulativa, que tem levado ao aumento brutal dos preços dos bens e serviços essenciais, desde a energia aos alimentos, pondo o povo a pagar essa factura, com a total conivência do Governo PSD/CDS.

Face à situação, afirmando querer mitigar a subida dos preços, o PS apresentou na AR um projecto de resolução que recomenda ao Governo a descida do IVA dos combustíveis de 23% para 13% e a isenção desta taxa nos bens alimentares. Ao todo, o PS avança com 15 medidas temporárias para aliviar o custo de vida, na sequência da guerra no Médio Oriente.

E, no conjunto destas 15 medidas, o PS «esqueceu-se» de uma que é verdadeiramente essencial: o aumento dos salários e das pensões como resposta verdadeiramente estruturante para a situação criada.

Uma realidade que, mais uma vez, dá evidência ao facto de, nas questões essenciais, a política de direita continuar a contar com as opções do Governo, o apoio do Chega e da IL, mas também com a anuência cúmplice do PS.

Para contrariar essa política, aí estão a luta dos trabalhadores e do povo e a acção e iniciativa do PCP que, no conjunto alargado das medidas que apresentou, deu centralidade ao aumento dos salários e das pensões sem deixar de colocar a necessidade de regulação dos preços.

Não há dúvida, mudar de política é mesmo a questão fundamental...



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