Irão rejeita ultimato dos EUA e responde com plano de paz
Prossegue e agrava-se a agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão, envolvendo outros países da região e condicionando a navegação no Estreito de Ormuz. Depois de contactos com o Irão, através do Paquistão, a Administração Trump ameaçou levar o Irão à “idade da pedra” e “matar toda uma civilização” durante uma noite.
O Irão defende garantias contra futuras agressões
O Irão rejeitou o ultimato apresentado pelos EUA que, entre outras exigências, previa uma suspensão da agressão durante 15 dias. Em seu lugar, defendeu o fim permanente da agressão e um conjunto de outras condições, informou na segunda-feira, 7, a agência iraniana IRNA.
As autoridades iranianas entregaram uma contraproposta por intermédio do Paquistão, num documento com vários pontos que refere experiências passadas como razão para não aceitar uma trégua temporária. A resposta pormenoriza as condições do Irão, que incluem, entre outros aspectos, o fim permanente da agressão dos EUA e de Israel no Médio Oriente, incluindo ao Líbano e à Palestina; o desmantelamento de todas as bases norte-americanas no Golfo Pérsico; o reconhecimento do controlo iraniano sobre o Estreito de Ormuz; o levantamento das sanções económicas; o reconhecimento do direito ao enriquecimento pacífico de urânio; ou o pagamento de reparações pelos prejuízos sofridos durante a agressão.
Em Washington, Trump qualificou a resposta iraniana como um «passo significativo», embora «não suficiente». Ameaçou em tom de ultimato que o Irão poderia ser «eliminado» numa só noite e que essa noite poderia ser a de quarta-feira, 8 (já depois do fecho desta edição do Avante!), prazo por ele imposto para o Irão deixar de controlar a navegação no Estreito de Ormuz.
Por seu seu lado, um porta-voz do governo do Irão explicou que um cessar-fogo sem outras condições apenas daria tempo aos agressores para se reagruparem e cometerem mais crimes, o que «nenhuma pessoa sensata» aceitaria.
Na semana passada, o Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou – com o veto de China e Rússia e a abstenção do Paquistão e da Colômbia – uma proposta de resolução apresentada pelo Bahrein, que indo ao encontro das pretensões norte-americanas, procurava legitimar a agressão ao Irão e conduzir à sua intensificação, apontando a que fosse forçada a “abertura” do Estreito de Ormuz. Os países que travaram a proposta manifestaram a sua oposição ao uso da força e apelaram a uma desescalada do conflito. A manobra falhou.
Do Irão ao Líbano
Os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão continuam, visando infra-estruturas civis e zonas residenciais. Na madrugada de terça-feira, 7, foi destruída uma sinagoga pertencente à comunidade judaica em Teerão.
O representante dessa comunidade no parlamento iraniano lembrou que a sinagoga atingida, durante o feriado judaico da Pessach (Páscoa), era um local de culto de grande valor histórico, sendo uma das mais antigas casas de oração judaicas no país. «Os rolos da Torá que estavam guardados nesta sinagoga, que tinha um estatuto muito elevado, também foram destruídos e permanecem enterrados sob os escombros», lamentou.
O representante da comunidade judaica condenou veementemente o ataque, sublinhando que a comunidade judaica de Teerão se tem oposto consistentemente à agressão contra o Irão: «Os sionistas têm uma natureza anti-iraniana. A religião e a fé não têm qualquer importância para eles», denunciou, acrescentando que o judaísmo é usado apenas como pretexto para legitimar as suas acções agressivas.
Entretanto, Israel intensifica a agressão militar contra o Líbano. Segundo as autoridades de Beirute, a ofensiva militar israelita contra o país, iniciada a 2 de Março, provocou até agora 1461 mortos e 4430 feridos, além de mais de um milhão de pessoas deslocadas.




