Silenciar à medida

O último debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República e a ronda de audiências de início de mandato do Presidente da República foram mais dois exemplos do aprofundamento do silenciamento mediático do PCP.

Ambos os casos relevantes por se tratarem de momentos que, pelas suas características e importância na vida política nacional, exigem uma maior atenção e cuidado ao pluralismo nos espaços noticiosos. Ainda mais quando não existem razões de natureza operacional que justifiquem um tratamento discriminatório entre partidos com representação parlamentar: em ambas as situações, os meios necessários para assegurar a cobertura jornalística de cada um dos intervenientes, de cada um dos partidos, são exactamente os mesmos do que para os restantes – os jornalistas, os técnicos, as câmaras, os microfones, os computadores, os blocos de papel e as canetas estão lá todos, em São Bento e em Belém, e se são postos em uso para noticiar a presença de alguns líderes partidários e se calam quando se trata do Secretário-Geral do PCP, tal só é possível por decisão editorial. Ou seja, quem manda decidiu.

No caso do último debate quinzenal, a CNN fez o que já tinha feito com as reacções à intervenção do Presidente da República na sua tomada de posse e cortou o directo quando chegou a vez da intervenção de Paulo Raimundo; o Correio da Manhã, na sua edição imprensa do dia seguinte, conseguiu publicar um texto com referências às intervenções de todos menos do PCP. No dia seguinte, a declaração do Secretário-Geral do PCP à saída do encontro com o Presidente da República, apesar de breves referências em toda a imprensa escrita, teve ainda menor presença mediática televisiva: para a CNN e para a TVI não existiu e a SIC remeteu para o seu canal de notícias, não chegando aos seus noticiários em canal aberto.

Neste quadro mediático, em que se conjuga um ataque brutal ao pluralismo com a omnipresença de comentadores e escribas absolutamente alinhados com o pensamento dominante (da reprodução dos argumentos do Governo/patronato sobre o pacote laboral aos discursos trumpistas de elogio e glorificação da chantagem, morte e destruição do imperialismo, de Cuba à Palestina ou ao Irão), assume particular gravidade o ataque do Governo ao papel da Agência Lusa. Esta não é apenas a única que, apesar das dificuldades e insuficiências que enfrenta, garante a cobertura noticiosa por todo o País e, não menos importante, com respeito pelo pluralismo.

Nos últimos dois meses já são muitas as iniciativas com a participação do Secretário-Geral do PCP em que os únicos jornalistas que fizeram notícia foram os da Agência Lusa, levando a sério as suas responsabilidades de serviço público. Depois da ainda inexplicada alteração na direcção de informação da RTP, o Governo quer impor uma estrutura que lhe permita dirigir a Lusa em conjunto com os patrões do sector. Os trabalhadores da agência que saíram à rua, com uma greve parcial, mostraram consciência do seu papel.

Sintomaticamente, os únicos jornalistas a fazerem a cobertura noticiosa do protesto foram da televisão e rádio públicas.

 



Mais artigos de: PCP

“Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”

Um PCP mais forte é possível, porque está ao alcance do colectivo partidário. E é preciso porque significa melhores condições para lutar por uma vida melhor para o nosso povo, os jovens, os que vivem do seu trabalho ou trabalharam uma vida inteira. A partir da resolução, aprovada pelo Comité Central, a organização partidária já começou a dar passos nesse sentido – e o Avante! espelhará esse esforço.

105 anos de um «Partido imprescindível»

Paulo Raimundo participou em duas iniciativas de comemoração do 105.º aniversário do PCP: um jantar na Nazaré, no dia 21, e um almoço em Avis, no dia 22, amplamente participadas. Em ambas e nas muitas outras que se estão a realizar por todo o País, mais do que a história, afirmou-se o futuro do Partido.

Organizações concelhias reunidas em assembleia

Em Cuba, no dia 15, o Partido realizou a sua 8.ª Assembleia da Organização Concelhia, na qual foi aprovada uma resolução sobre o funcionamento, estruturação e reforço orgânico, com objectivos concretos para novos organismos, como a responsabilização de mais camaradas e o reforço da organização nos locais de trabalho e de...

PCP recebido pelo Presidente da República

O Presidente da República (PR) recebeu, na semana passada, os partidos políticos com representação parlamentar. No âmbito destes encontros, o Secretário-Geral do PCP, recebido no dia 19, teve a oportunidade de apresentar as suas preocupações pela situação de Portugal e do mundo e afirmar que o PCP espera do PR que cumpra...