105 anos de um «Partido imprescindível»

Paulo Raimundo participou em duas iniciativas de comemoração do 105.º aniversário do PCP: um jantar na Nazaré, no dia 21, e um almoço em Avis, no dia 22, amplamente participadas. Em ambas e nas muitas outras que se estão a realizar por todo o País, mais do que a história, afirmou-se o futuro do Partido.

De olhos postos na superação do capitalismo e na construção da sociedade nova

O pavilhão multiusos de Benavila, em Avis, acolheu o almoço do Alentejo do PCP. Mais de 600 militantes e simpatizantes, vindos de várias localidades da região, encheram a sala que recebeu com grande entusiasmo o Secretário-Geral, agitando as bandeiras do Partido ao som das palavras de ordem «PCP» e «a luta continua».

O grupo de cantares de Avis animou a iniciativa obtendo grande aplauso e afirmando que o cante alentejano é uma forte marca identitária e cultural de todo o Alentejo – uma região que continua a ver adiadas as respostas aos seus vários problemas e necessidades.

Fixar população é combater desertificação

Um cozido de grão e muito convívio entre camaradas e amigos antecedeu as intervenções da tarde que, para além da referência à situação nacional e internacional, se referiram à região do Alentejo. Destacaram a falta de ordenamento do território onde predominam as culturas intensivas e super-intensivas com vários impactos negativos a curto e médio prazo; a inexistência de medidas no sentido de fixar população e criar emprego; a falta de concretização do aproveitamento da barragem de fins múltiplos de Alqueva; e a falta de médicos e a adiada obra do Hospital Central Público do Alentejo

Manuel Coelho, presidente da Câmara Municipal de Avis e membro da Direcção da Organização Regional de Portalegre, interveio pelo concelho de Avis e fez uma saudação aos presentes. Pedro Fialho, da JCP, referiu a luta dos jovens e dos estudantes pelas condições de acesso ao ensino e ao trabalho com direitos, focando também a luta pela paz. Rogério Silva interveio em nome da Organização Regional do Alentejo salientando, sobretudo, as condições difíceis em que vivem os alentejanos, a luta pela regionalização e a importância de reforçar o Partido.

Pacote laboral não passará

O Secretário-Geral comunista dedicou particular atenção ao pacote laboral que, afirmou, «não passará». «Dizem agora que o pacote laboral é um instrumento para dar novas oportunidade ao trabalho, mas novas oportunidade para quem?», questionou. «Generalizar a precariedade, com tudo o que isso implica, é nova oportunidade para quem precariza ou para quem é precarizado?», insistiu, interrogando o mesmo sobre os despedimentos sem justa causa, sobre a desregulação dos horários de trabalho e o equilíbrio entre a vida laboral e familiar. «A única oportunidade deste pacote laboral é a oportunidade que dá ao PSD, CDS, Chega e à IL, de cumprir com os compromissos que têm com o grande patronato», criticou. «Cá estamos e estaremos, com a coragem da greve geral, da unidade dos trabalhadores, para lhes fazer frente, ontem, hoje e amanhã», garantiu.

Ao longo da sua intervenção, o dirigente salientou o papel histórico de resistência do Partido ao longo dos seus 105 anos de existência, que precisa de projectar no futuro; o aumento do custo de vida que espreita agora com redobrada ameaça e a campanha de reforço do Partido que está já a ser posta em marcha.

 

Na Nazaré

No distrito de Leiria, na Biblioteca Instrução e Recreio, em Valado dos Frades, Nazaré, mais de 200 militantes – entre os quais muitos jovens e amigos do Partido que asseguraram parte significativa da montagem e funcionamento da iniciativa – juntaram-se em ambiente de força e animação para celebrar o aniversário do Partido. O jantar contou com um momento musical por João Barroso.

Para lá das medidas de reforço da organização do Partido, Luís Caixeiro, membro do Comité Central e responsável da organização, deu conta da constituição da Comissão Concelhia Provisória da Nazaré e anunciou a campanha de fundos para a reconstrução do Centro de Trabalho da Marinha Grande, muito atingido pelas intempéries – elemento muito abordado ao longo das várias intervenções.

«Para lá dos impactos imediatos [provocados pelas intempéries] acarretam dimensões que se prolongarão ao longo dos próximos anos e que exigem medidas que resolvam e respondam no imediato, que previnam situações futuras comportem soluções que, não só reponham o que existia, mas reforcem a capacidade produtiva, das infra-estruturas, e os serviços públicos e melhorem a qualidade de vida de quem habita e trabalha no distrito», salientou o dirigente.

«Cuba, exemplo de esperança, dignidade e soberania»

As questões internacionais estiveram igualmente presentes, com particular destaque para o cerco que se aperta em Cuba e ao qual é preciso responder com solidariedade. «Somos anti-imperialistas, sem mas nem meio mas. Estamos ao lado dos povos, da sua luta e soberania», salientou o Secretário-Geral ao expressar a solidariedade dos comunistas portugueses com Cuba, a revolução e o povo cubanos. «Há quem destile ódio, vingança, horror e bombas pelo mundo fora», continuou, mas «Cuba distribui médicos, medicamentos, solidariedade, amizade e cooperação entre os povos». «Esta é a hora dos povos pelo mundo fora, em todos os continentes, de retribuírem o que Cuba deu, dá e está em condições de dar. Não percamos força e energia, façamos tudo para pressionar o nosso governo a combater esta ameaça vergonhosa dos EUA», apelou.

Em nome da JCP interveio Maria Rolo, que deu conta, entre outros elementos, do processo de aproximação da organização revolucionária da juventude aos estudantes do ensino secundário e das duras condições das escolas do distrito.

 



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