Segunda volta das municipais francesas

Depois da primeira volta de dia 15, os franceses voltaram às urnas no passado domingo para a segunda volta das eleições municipais, onde se decidia quem lideraria as principais cidades do país. Os resultados são contraditórios.

«Transformar a raiva e a esperança em mudanças reais»

Com a abstenção a manter-se acima dos 40 por cento, a segunda volta das eleições municipais francesas, onde se decidiu quem lideraria as maiores cidades do país, revelou tendências de voto muito diversificadas.

Por um lado, a direita consolidou a sua presença local, o que constitui uma ameaça aos serviços públicos e políticas sociais que beneficiem as comunidades. Verificou-se também, em muitos locais, uma aliança entre a direita dita “tradicional” e a extrema-direita, tanto na primeira como na segunda volta. A extrema-direita conquistou Nice, mas ficou aquém em muitas das grandes cidades que estabelecera como objectivo, nomeadamente Marselha, Toulon e Nîmes (onde perdeu para a candidatura comunista). No campo da coligação que apoia o presidente Emanuel Macron destaca-se a derrota do ex-primeiro-ministro François Bayrou, derrotado em Pau. Outro antigo chefe de governo, Édouard Philippe, teve sorte diferente, conquistando a vitória em Le Havre.

Em Paris e Marselha, o PS voltou a sair vencedor, em alguns locais em coligação com outras forças de esquerda, como o PCF ou a França Insubmissa. Embora as forças mais à esquerda (PS incluído) mantenham fortes posições nas maiores cidades, a começar por Paris, Marselha ou Lyon, estão a perder terreno nas cidades de média dimensão e nas zonas rurais.

A França Insubmissa venceu em Saint-Denis e La Courneuve e elegeu pela primeira vez em vários municípios. Já o Partido Comunista Francês alcançou, pela primeira vez desde 2001, um progresso eleitoral em eleições municipais, alcançando a liderança em dezenas de municípios, depois de na primeira volta ter conquistado mais 50 municípios de menor dimensão relativamente às eleições anteriores.

Num comunicado emitido após as eleições, o PCF destaca a vitória em Nîmes, que representa «um grande sucesso que demonstra a capacidade dos nossos candidatos para unir o povo». As listas do PCF, prossegue, demonstram, mais uma vez, o «trunfo que os comunistas representam para a esquerda, mantendo-se fiéis à nossa história de resistência e de conquistas sociais e democráticas». Centenas de autarcas comunistas e simpatizantes foram reeleitos nesta segunda volta.

O PCF apela ao «diálogo contínuo com os cidadãos, à intervenção popular, à acção dos trabalhadores, à resistência às forças reaccionárias e de extrema-direita, de forma a transformar a raiva e a esperança de mudança em vitórias sociais e políticas».

 



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