EUA e Israel prosseguem agressão ao Irão

Confrontados com uma resistência que não esperavam, EUA e Israel continuam a agressão ao Irão, ao mesmo tempo que os seus interesses são seriamente postos em causa pelas medidas defensivas iranianas.

Irão nega que estejam a negociar com os EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na segunda-feira que estão a decorrer «conversações muito boas e produtivas» com o Irão para pôr fim à guerra e que ordenou o adiamento por cinco dias de todos os ataques contra centrais eléctricas e infra-estruturas energéticas do país do Médio Oriente. No entanto, as autoridades iranianas negaram a ocorrência de tais conversações.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirma que as declarações de Donald Trump constituem uma tentativa de reduzir os preços da energia e ganhar tempo para concretizar os planos militares norte-americanos. As autoridades iranianas referem a existência de várias iniciativas regionais para alcançar uma desescalada no conflito, mas desafiam os Estados vizinhos a direccionar as suas diligências para os EUA, que foram quem iniciou a guerra. Já na semana passada, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, tinha acusado os norte-americanos de não serem confiáveis – os ataques dos EUA iniciaram-se a 28 de Fevereiro, precisamente em pleno processo negocial com o Irão – e fechara a porta a quaisquer conversações com os EUA.

No sábado, o presidente norte-americano ameaçou «obliterar» as infra-estruturas energéticas iranianas caso o Estreito de Ormuz não fosse aberto em 48 horas, ao que o Irão garantiu que responderia com o fecho total da passagem no estreito – que, garante, estar fechada «apenas aos inimigos» – e o ataque a interesses norte-americanos e israelitas na região, assim como infra-estruturas similares nos países aliados dos EUA na região.

Dias antes, após o bombardeamento israelita ao campo de gás iraniano de South Pars, o Irão retaliou atacando infra-estruturas energéticas na região. Em resultado, o preço do gás disparou nos mercados mundiais.

Para lá das palavras de Trump

As declarações contraditórias de Donald Trump verificam-se num momento de escalada de guerra, promovida por EUA e Israel. No fim-de-semana registaram-se novos ataques contra Teerão, a que o Irão retaliou atacando zonas estratégicas no sul de Israel, nas cidades de Arad e Dimona.

A caminho do Médio Oriente estão navios militares e milhares de fuzileiros norte-americanos, o que aumenta a probabilidade de estar a ser equacionada uma agressão militar terrestre contra o Irão. Quanto a isto, Donald Trump salta entre o «não vou colocar tropas em lado nenhum» e o «faremos o que for necessário».

Na segunda-feira aterraram na base das Lajes, a caminho do Médio Oriente, drones MQ-9 reaper, que foram usados na agressão militar norte-americana à Venezuela de 3 de Janeiro.

Israel continua a atacar o Líbano

No Líbano, os bombardeamentos israelitas já mataram mais de 1000 pessoas, ferindo pelo menos 2700. O número de deslocados libaneses ascende já a um milhão. Entretanto, a destruição por Israel de várias pontes sobre o Rio Litani, que separa o sul do Líbano do resto do país, foi vista pelo presidente libanês Joseph Aoun como uma possível preparação de uma nova invasão terrestre pelas forças israelitas, que têm vindo a atacar o Líbano desde há muitos meses, não respeitando o acordo de cessar-fogo.

 



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