Cuba qualifica cimeira em Miami de «reaccionária e neocolonial»
O presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou a cimeira organizada pelos EUA, que decorreu no sábado, 7, em Miami, na Florida, em que participaram chefes de Estado e governantes de direita de países da América Latina e das Caraíbas, qualificando-a de uma reunião «reaccionária e neocolonial».
EUA levam governos latino-americanos de direita a aceitar o uso da força militar norte-americana para «resolver» problemas internos
O Presidente cubano alertou que esta cimeira compromete os governos de direita da região que nela participaram a «aceitar o uso letal da força militar norte-americana para resolver problemas internos, a ordem e a tranquilidade dos seus países».
A cimeira, denuncia Díaz-Canel, constituiu um atentado contra a Proclamação da América Latina e das Caraíbas como Zona de Paz, representando «um ataque às aspirações de integração regional e uma manifestação da disposição de subordinar-se perante os interesses do poderoso vizinho do Norte sob os preceitos da Doutrina Monroe».
Bruno Rodríguez, ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, acrescentou que a cimeira obriga os governos reaccionários da região a «aceitar a nova versão da dominação mediante a Doutrina Monroe e seus corolários, ou seja, uma maior subordinação dos seus países à potência do Norte».
É assinalado que o único resultado público do encontro foi a assinatura por parte dos participantes de um servil e desonroso documento que advoga o uso da força militar, em particular a dos EUA, como arma repressiva em cada país, para sufocar problemas internos e fronteiriços.
«É um claro e perigoso retrocesso no longo e difícil processo independentista dos povos latino-americanos e caribenhos», referiu Bruno Rodríguez, alertando que este documento é uma grave ameaça à paz, à segurança, à estabilidade e à integridade regional.
Cubano-americanos pelo fim do bloqueio
Uma carta aberta que circula nos EUA, subscrita por cubano-americanos que condenam a escalada agressiva da administração do presidente Donald Trump contra Cuba, apela ao fim do bloqueio norte-americano e à normalização das relações entre Washington e Havana. Os cubano-americanos unem-se por uma relação justa, humana e próspera entre os EUA e Cuba, assinala a missiva, insistindo que «décadas de “máxima pressão” apenas trouxeram máximo sofrimento».
O grupo de subscritores, que se identificam como «cubano-americanos unidos por um objectivo comum, pôr fim ao bloqueio norte-americano a Cuba», dizem que é hora de uma nova abordagem e rejeitam o recrudescimento do cerco imposto pelos EUA a este país caribenho, a partir da ordem executiva emitida pelo presidente Trump a 19 de Janeiro passado.
Os cubano-americanos nos EUA condenam a escalada da administração Trump contra Cuba, que utiliza a privação como instrumento da sua política exterior e «aprofunda deliberadamente a escassez, desestabiliza uma economia frágil já devastada por décadas de bloqueio e põe em perigo a vida dos nossos seres queridos».
Durante demasiado tempo utilizaram os cubano-americanos como pretexto para as políticas que infringem sofrimento à população cubana, denuncia o texto, onde é afirmado que «como cubano-americanos de todo o espectro político, dizemos claramente: não em nosso nome.» Os cubano-americanos afirmam que a sua identidade não será utilizada para matar de fome o povo cubano, exigem o fim das actuais sanções petrolíferas e do bloqueio norte-americano e um renovado compromisso com a interacção e a normalização das relações entre os dois países.
«Após mais de seis décadas, o bloqueio fracassou moral, estratégica e politicamente; e cada nova escalada só promete mais sofrimento para os nossos seres queridos», por isso afirmam que «é hora de deixar para trás esta abordagem falhada e priorizar o diálogo, a cooperação e o respeito entre os EUA e Cuba».




