EUA e Israel continuam a agredir militarmente o Irão

Continua a agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão, que se ampliou com os ataques de Israel no Líbano. Em resposta à agressão, o Irão atacou bases militares e interesses norte-americanos em diversos países e impediuque petroleiros e cargueiros ao serviço dos EUA e de Israel pudessem passar o Estreito de Ormuz. A guerra provocada pelos EUA e Israel desencadeoua especulação e o aumento de preços de combustível no plano mundial.

Agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão desencadeia especulação e aumento de preços de combustível

Lusa

Em resposta à escalada de agressão militar dos EUA e Israel, o Irão anunciou que actualizou a lista dos seus objectivos, passando a incluir não só instalações militares norte-americanas mas também investimentos e interesses vitais dos EUA e de Israel, a “entidade ocupante”, em toda a região do Médio Oriente. Essa decisão responde às ameaças directas proferidas por responsáveis norte-americanos e israelitas contra a população iraniana, face à sua ampla rejeição da agressão e defesa da soberania do seu país.

Esta agressão está a provocar a destruição de parte da infra-estrutura civil iraniana, como centros educativos, instalações de saúde, entre outras importantes infra-estruturas. Sobre Teerão paira uma nuvem tóxica resultante dos ataques contra instalações petrolíferas iranianas por parte de Israel. A agressão militar provocou, até ao dia 9, um total de 1330 mortos, incluindo mais de 200 crianças, além de mais de 10 mil civis feridos, segundo informou o representante permanente do Irão na ONU.

O Irão condena veementemente a agressão militar contra a sua soberania e integridade territorial, que afronta os princípios fundamentais do direito internacional e as disposições da Carta das Nações Unidas, constituindo uma violação clara do princípio da proibição do recurso à força nas relações internacionais. As autoridades iranianas consideram que, pelo direito internacional, lhe é garantido o direito legítimo de defender a soberania e a segurança nacional e que a preservação da paz e da estabilidade regional exige o compromisso de todas as partes com os princípios e as normas do direito internacional.

Agressão e resistência

No passado dia 28, e pela segunda vez em menos de um ano, forças norte-americanas e israelitas iniciaram uma agressão militar contra o Irão. Os ataques começaram horas depois do Irão e os EUA terem realizado, em Genebra, uma nova ronda de negociações, num processo de diálogo indirecto que começara em Abril de 2025.

No primeiro dia da agressão, os EUA e Israel assassinaram o líder supremo Ali Khamenei e, em resposta à agressão conjunta norte-americana-israelita, o Irão lançou ataques de represália contra objectivos israelitas e bases militares dos EUA em países da região, nomeadamente no Qatar, Barein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. A dimensão da defesa iraniana terá surpreendido os EUA e Israel, forçando-os a apontar objectivos e prazos da agressão de forma contraditória, não apenas entre os dirigentes dos dois países, mas também no seio da administração norte-americana. Por exemplo, no mesmo dia em que Donald Trump garantiu que a guerra seria breve, o Secretário da Guerra, Peter Hegseth, referiu-se à preparação para uma ofensiva mais prolongada.

Entretanto, os EUA avisaram que diversas áreas residenciais densamente povoadas, em cidades como Shiraz, Isfahán e Dezful, serão alvo de ataques militares. Face à brutalidade dos ataques norte-americanos e israelitas, o Irão anunciou que iria intensificar as suas operações defensivas, visando reforçar a capacidade de dissuasão face a novas agressões.

Alargada ao Líbano, onde Israel já matou mais de meio milhar de pessoas e provocou muitos milhares de deslocados, a agressão militar norte-americana e israelita está já a ter efeitos globais, com a especulação e o aumento do preço dos combustíveis.

Mojtaba Khamenei eleito Líder Supremo

No início da semana, o Irão anunciou a eleição de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo, após o assassinato de Ali Khamenei pelos EUA e Israel. Muitas centenas de milhares de iranianos saíram às ruas, em Teerão e noutras cidades do país de 90 milhões de habitantes, para saudar a eleição.

Logo após o assassinato de Ali Khamenei, Donald Trump afirmou de forma arrogante e inaceitável que teria uma palavra a dizer na escolha do novo líder e que a mesma teria de ser “favorável aos EUA”, ameaçando, tal como fez Israel, com um novo assassinato se assim não fosse.

Massacre em Minab e cinismo dos EUA

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, rejeitou de forma categórica as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que tentou desviar a responsabilidade dos EUA pelo criminoso bombardeamento de uma escola para meninas na localidade de Minab, no sul do Irão.

O diplomata iraniano qualificou de cínico e absurdo o posicionamento da Casa Branca. O bombardeamento causou a morte de 171 crianças e provocou uma ampla indignação no plano internacional. Seyed Abbas Araghchi foi enfático ao desmontar a mentira norte-americana que procurou responsabilizar o governo iraniano pelo ataque contra os seus próprios cidadãos: «É uma escola nossa. São nossas alunas, nossas meninas e foram atacadas por um caça norte-americano e morreram. Por que razão é o Irão responsável? Por acaso fomos nós que começámos esta guerra?»

 

Submissão vs. denúncia

As potências do G7, a NATO e a UE acompanharam, não sem contradições, hesitações ou meias palavras, os objectivos da agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irão. A Espanha recusou a utilização das bases de Rota e Morón para esta agressão e mantém uma posição contrária à agressão militar por a considerar ilegal à luz do direito internacional. O Governo português assume o vergonhoso alinhamento com a agressão dos EUA e Israel contra o Irão, permitindo a utilização da Base das Lajes e envolvendo o País numa nova guerra e violação do direito internacional pelo imperialismo norte-americano e os seus aliados.

Diversos países, como China, Rússia ou Cuba, condenam a agressão e exigem o seu fim imediato. Em várias cidades europeias e nos próprios EUA houve manifestações de repúdio pela agressão e de solidariedade com o povo iraniano.

 

 



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