A África e a agressão imperialista ao Irão

Carlos Lopes Pereira

A União Africana (UA) manifestou «profunda preocupação» com os impactos em África da agressão militar em curso dos EUA e Israel ao Irão. Numa declaração divulgada a 9 de Março, em Adis Abeba, sede da organização continental, o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, condenou «qualquer violação do direito internacional, incluindo violações da soberania e integridade territorial dos Estados». E exortou «todas as partes envolvidas a exercer a máxima contenção, a dar prioridade ao diálogo e à diplomacia e a trabalhar no sentido de uma rápida diminuição da escalada da situação, em conformidade com os princípios e objectivos da Carta das Nações Unidas».

Youssouf, um experiente diplomata do Djibuti que foi eleito em 2025 para o actual cargo na UA, sublinhou que a estabilidade na região do Golfo Pérsico é de particular importância para a segurança energética global e a economia internacional, com implicações directas para as economias africanas.

O aumento dos preços do petróleo e as perturbações nas rotas comerciais já estão a atingir os mercados, incluindo a exportação de produtos perecíveis de África, enquanto as perturbações no espaço aéreo estão a afectar as companhias aéreas africanas e a conectividade das viagens, pormenorizou.

Revelou que a UA está a acompanhar de perto as potenciais implicações da guerra para o continente, incluindo o seu impacto nas cadeias de abastecimento, nos fluxos comerciais e na segurança e bem-estar dos cidadãos africanos e das comunidades da diáspora na região, incluindo os que residem no Irão e nos países do Conselho de Cooperação do Golfo. E reiterou o compromisso da UA – que integra todos os 55 Estados do continente e ainda recentemente tinha reafirmado a sua solidariedade com o povo da Palestina e repudiado o bloqueio e as novas ameaças do imperialismo norte-americano contra Cuba – com «o direito internacional, a resolução pacífica de litígios e a preservação da paz e da segurança internacionais».

Anteriormente, logo no dia 28 de Fevereiro, também o Partido Comunista Sul-Africano (PCSA) se pronunciou sobre a agressão ao Irão. «O ataque militar conjunto de Israel e dos EUA ao Irão é uma continuação da política imperialista dos EUA sobre o povo iraniano. Embora este ataque seja repreensível sob todos os pontos de vista, não é surpreendente para aqueles que compreendem o funcionamento do imperialismo. O ataque serve para confirmar a natureza cada vez mais beligerante do eixo imperialista de poder EUA-Israel», consideram os comunistas sul-africanos. E acusam: Israel «não é apenas um instrumento do imperialismo global dos EUA, mas também um parceiro nos esforços imperialistas para impor a hegemonia dos EUA sobre o mundo e os seus recursos naturais e económicos e para submeter todos os governos aos interesses políticos e económicos dos EUA». Mais: «a causa desta guerra reside na agenda imperialista de Israel e dos EUA de minar a soberania de todas as outras nações, a fim de perseguir os seus próprios interesses».

O PCSA condenou os ataques ao Irão, reiterou a sua solidariedade com o povo iraniano e exortou a todas as forças progressistas e anti-imperialistas que se unam para exigir o fim da violência desencadeada pelos EUA e Israel.

 



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