Quem fica a ganhar?

Manuel Rodrigues

Uma das técnicas usadas pelos protagonistas da política de direita e seus «papagaios» de serviço para atacar as empresas públicas é a propagação da ideia, mil vezes repetida, de que as empresas públicas são, por natureza, más empresas: porque dão prejuízos ao Estado, porque funcionam mal, porque não respondem às necessidades das populações, porque não se integram numa dinâmica económica de crescimento, porque são fonte de corrupção. Em suma, uns verdadeiros monstros que só a privatização poderá salvar.

Ora, olhando para a situação do nosso País, o que a vida nos vai mostrando é exactamente o contrário. Dois exemplos apenas, entre tantos outros que poderiam ser evocados: os CTT, quando eram empresa pública, foram uma empresa eficiente, de qualidade, que respondia a uma necessidade essencial do País, designadamente no serviço postal. Entretanto, pelas mãos de PS, PSD e CDS (e, se fosse hoje, teria também as mãos do Chega e da IL) a empresa foi privatizada. E, uma vez no domínio privado, foi sofrendo diversas transformações que passaram pelos despedimentos, pela venda do património, pelo afastamento das populações (foram encerrados inúmeros postos e balcões) e pela progressiva degradação do serviço postal. E, agora, como cereja em cima do bolo, ameaça, pura e simplesmente, acabar com este serviço, ou melhor, pede muito dinheiro ao Estado para o manter.

Afinal, quem ficou a lucrar com esta privatização? O povo não foi, certamente. Nem o povo nem o País.

Outro exemplo: a E-Redes, uma das empresas privadas criadas na sequência da privatização da EDP, empresa pública que levava a electricidade a todo o País e ainda dava aos cofres do Estado muitos milhões de euros de lucro por ano (dinheiro fundamental para garantir funções sociais do Estado). Mas quis o Governo PSD/CDS de Passos Coelho/Paulo Portas privatizá-la. Seguiu-se o desmembramento, criou-se a E-Redes (tal como a REN), e hoje, perante os efeitos da tempestade Kristin, não consegue responder às necessidades mais prementes das populações, como se está a ver nesta situação de calamidade. Afinal quem ficou a ganhar com a privatização? Também neste caso, o povo não foi. Nem o povo nem o País.

E a CP? Com o desmantelamento já anunciado não estará a querer seguir o mesmo caminho? E a quem serve a criminosa privatização da TAP? E?...e?...e?...

Nas privatizações quem fica a perder é sempre o País e o povo. Os chorudos lucros, esses vão directos aos bolsos do capital. Tudo o resto é «conversa fiada».



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