Cuba em três palavras
A recente “ordem executiva” de Donald Trump, que impõe sanções a quem abastecer Cuba de petróleo, é mais uma tentativa do imperialismo norte-americano de asfixiar – e derrotar – a Revolução cubana. Não é a primeira, já o tentou inúmeras vezes desde 1959, por diferentes meios, e não será certamente a última. A ameaça é séria, não nos iludamos, mas nada está decidido: Cuba socialista já esteve “condenada” em inúmeras ocasiões (em 1963, em 1991, em 2016, em 2020…), garantiam-nos o imperialismo e os média dominantes sempre dispostos a reproduzir as suas narrativas. E uma e outra vez resistiu e avançou.
Centremo-nos nestas duas palavras, resistir e avançar, pois é isso que Cuba faz há já 67 anos. Se sobre a resistência pouco haverá a dizer, ou não fosse essa precisamente a marca distintiva do país (que não se verga às imposições do poderoso vizinho do norte, a maior potência imperialista do planeta), acerca do avançar poderá ser útil acrescentar alguma coisa. Até porque ajuda, e muito, a compreender a persistência do socialismo cubano nas condições tão adversas das últimas três décadas e meia.
É que apesar do bloqueio cada vez mais apertado, que limita seriamente as possibilidades de desenvolvimento nacional e priva os cubanos de bens essenciais (combustível, matérias-primas, medicamentos, equipamentos médicos e outros, maquinaria…), o povo está no centro das preocupações da Revolução: a taxa de alfabetização ronda os 100%; os índices de escolaridade são elevados; o número de médicos por habitante é o maior do mundo; a esperança média de vida supera a de muitos países ditos “desenvolvidos”, incluindo a dos próprios EUA; em plena pandemia de COVID19, produziu as suas próprias vacinas (foi o único país “não desenvolvido” a fazê-lo) e responde como nenhum outro às frequentes intempéries que fustigam as Caraíbas – a forma como o faz é elogiada por organizações e especialistas internacionais.
Imagine-se do que seria capaz sem o bloqueio…
Mas há uma terceira palavra que importa reter: solidariedade. Nem nos tempos mais difíceis Cuba negou apoio aos povos que dele necessitavam: nos anos 70 lá esteve em Angola a combater a ingerência imperialista e as tropas do apartheid, defendendo a independência do jovem país; nos momentos mais duros do “período especial” acolheu crianças ucranianas vítimas da tragédia de Chernobyl; apesar de todas as carências, envia professores e médicos, tantas vezes para zonas onde mais ninguém ousa ir, flageladas por epidemias e catástrofes naturais, e recebe estudantes de países africanos, asiáticos e latino-americanos para ali se formarem em Medicina. E tantos exemplos mais podíamos dar…
Cuba merece que a nossa solidariedade se eleve e ajude a romper o cerco imperialista. Pelo que é e pelo exemplo que dá – que nos ajuda também a nós a resistir e a avançar.




