A África e Cuba

Carlos Lopes Pereira

Os povos africanos, as suas forças progressistas, conhecem bem o papel fundamental que Cuba desempenhou na luta contra o colonialismo português e pela libertação da África Austral do jugo dos regimes racistas criados pelo imperialismo.

Em 1965, em Conakry, na República da Guiné, Amílcar Cabral e Che Guevara encontraram-se e acordaram que Cuba iria apoiar a luta armada de libertação nacional em curso dirigida pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Pouco depois, chegaram à Guiné os primeiros médicos, enfermeiros e instrutores militares cubanos, que, ao longo dos anos seguintes e até à libertação, participaram no combate emancipador travado pelos patriotas guineenses e cabo-verdianos. Cuba auxiliou também, nesse período, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), que de armas nas mãos conquistaram a liberdade.

Em Novembro de 1975, em vésperas da proclamação da independência de Angola, e perante a invasão do país pelas forças do Zaire, no norte, e da África do Sul, no leste e sul, em socorro dos movimentos fantoches ao serviço do imperialismo, Cuba decidiu, a pedido do MPLA, encabeçado por Agostinho Neto, enviar tropas para defender a República nascente.

A luta heróica travada pelas forças armadas angolanas e cubanas contra o exército do regime racista da África do Sul, financiado pelos EUA e aliados da NATO, foi vitoriosa e contribuiu, ao longo dos anos, para a independência do Zimbabué (1980) e da Namíbia (1990), para a libertação de Nelson Mandela e o desmantelamento do apartheid, para a paz em Angola, para a consolidação de transformações históricas na África Austral.

Mas não foi só combatendo em terras africanas que os cubanos conquistaram o reconhecimento e a admiração dos povos do continente. A Revolução Cubana enviou médicos, enfermeiros, professores e outros especialistas para os países africanos que precisaram desse auxílio internacionalista. E, sobretudo, ofereceu bolsas de estudo e formou, em escolas na ilha, milhares de jovens africanos que assim melhor contribuíram para o desenvolvimento dos seus países.

O Zimbabué é, entre outros, um desses Estados africanos que reconhece e cultiva os profundos laços históricos e culturais que unem africanos e cubanos. Neste momento em que o imperialismo norte-americano, depois de impor mais de 65 anos de bloqueio económico, financeiro e comercial a Cuba, sem conseguir liquidar a Revolução socialista, procura asfixiar o país caribenho com o bloqueio total ao fornecimento de petróleo, os zimbabueanos proclamam que «o silêncio é cumplicidade e a solidariedade um dever».

Em Harare, o coordenador da Cátedra Fidel Castro da Universidade de Midlands, Mafa Kwanisai, escreveu um artigo em que afirma que Cuba não é uma «ameaça para a paz e a estabilidade das Américas» e que «nunca invadiu, nem bombardeou, nem tão-pouco derrubou governos nem impôs sanções a outros países». A realidade, sublinha o catedrático, é que Cuba «exportou médicos, professores, solidariedade e esperança», «derramou sangue em solo africano para que pudéssemos ser livres».

Kwanisai apela à África, ao sul global e a todas as forças progressistas para que se mantenham firmes no apoio à ilha. E garante que «Cuba prevalecerá com a sua mensagem firme de que a soberania não é negociável».

 



Mais artigos de: Internacional

Israel continua a atacar Gaza e a sabotar o cessar-fogo

A continuação dos ataques israelitas à Faixa de Gaza provocaram, nos últimos dias, quatro dezenas de mortos palestinianos. Entretanto, no quadro da implementação da segunda fase do denominado “plano de paz”, os países que têm mediado as negociações anunciaram a reabertura, condicionada, da passagem fronteiriça de Rafah.

Cuba condena escalada de agressão dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou no passado dia 29 de Janeiro uma ordem executiva considerando Cuba como uma «ameaça invulgar e extraordinária» para a segurança dos EUA, como pretexto para agravarem ainda mais a pressão sobre o país.

EUA ameaçam Irão com nova agressão

Os EUA concentram forças militares no Médio Oriente ameaçando o Irão com uma nova agressão militar. Entretanto, em resultado dos múltiplos contactos e esforços em curso para fazer baixar a tensão no Médio Oriente, foram abertas portas à negociação. O Irão reitera que não procura a guerra, mas que que se defenderá se for atacado.

Kristin, o vácuo e a UE

Os impactos da tempestade Kristin não surgiram no vácuo. O que com isto se quer dizer é que os efeitos devastadores daquela tempestade não estão desligados das vulnerabilidades do território nem do enfraquecimento da capacidade de preparação e resposta de Portugal face a eventos desta natureza. Muitas das dificuldades...