PCP denuncia novo despedimento na Yazaki Saltano
O PCP denunciou, no dia 16, um novo despedimento colectivo na Yazaki Saltano, em Ovar. Três dias depois, o Grupo Parlamentar (GP) comunista entregou, na Assembleia da República, uma pergunta dirigida à ministra do Trabalho sobre o mesmo assunto.
Segundo despedimento colectivo sobre 163 trabalhadores, 467 ao todo
A denúncia foi feita, em forma de comunicado, pela Comissão Concelhia de Ovar do PCP, onde o organismo comunista explica que este se trata do segundo despedimento colectivo desencadeado pelo facto de a empresa em menos de um ano: em Março foram dispensados 304 trabalhadores e, apenas sete meses depois, a empresa deixa «à sua mercê 163 trabalhadores e respectivas famílias». Esta situação assume particular gravidade pela empresa ter recebido diversos apoios públicos e isenções, esclarece o comunicado.
Segundo o PCP, o grupo multinacional Yazaki chegou a empregar, em 1996, mais de 7000 trabalhadores em Portugal, número que diminui para metade logo em 1998, com a deslocação de linhas de produção para Marrocos. Desde então foram vários os despedimentos colectivos, nomeadamente em 2006 e 2008. Para o PCP, estes e os mais recentes despedimentos tornam-se incompreensíveis à luz dos mais de 60 milhões de euros de lucros obtidos pela empresa nos últimos dez anos (em média seis milhões de euros por ano).
«O PCP reafirma que esta situação não era uma fatalidade: estes despedimentos resultam de escolhas que privilegiam a concentração da riqueza ao invés da salvaguarda dos direitos de quem a produz», afirma o comunicado. Manifestando toda a sua solidariedade com os trabalhadores visados pelo processo, a organização concelhia salienta que este ataque concreto é «indissociável das opções do Governo» e que o pacote laboral só «desequilibra ainda mais a balança a favor do patronato», num país onde já é tão fácil despedir.
Em declarações à Lusa, Justino Pereira, dirigente do SITE Centro-Norte, salientou a injustiça deste processo, contrapondo os valores dos salários de quadros superiores e administrativos que «ganham 200 e 300 por cento acima» do dos trabalhadores abrangidos pelo despedimento.
Salvaguardar direitos
No dia 19, o GP do PCP endereçou uma pergunta à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, onde denuncia o «impacto económico e social devastador para a região» provocado pelo processo e interroga que medidas tomará o Governo para «salvaguardar todos os direitos dos trabalhadores e todos os postos de trabalho».




