Não há realidades imutáveis
Divulgou a Lusa que o ano de 2026 vai ter entrada marcada pelo aumento dos preços de um conjunto diversificado de bens e serviços essenciais.
São os casos das rendas, correios, telecomunicações, transportes, portagens, carne, peixe, entre outros. Mesmo que a subida seja menos acentuada, é também o caso do pão. Há ainda um outro conjunto de bens e serviços – electricidade, água, gás natural, diversos medicamentos – que também deverão estar abrangidos por estes aumentos.
Dirão alguns que é matéria que não constitui novidade, de tão habitual que se tornou. Dirão outros que não há nada a fazer, é o mercado a funcionar com as suas regras.
A questão, no entanto, é bem diferente. A questão é que, com estes aumentos, sobe o custo de vida para os mesmos de sempre, os trabalhadores e o povo, cujos salários e pensões não acompanham estes aumentos e sobem também os lucros dos grupos económicos, os directos beneficiários da política que os gerou.
Até podia ser como dizem os que acham que o capital monopolista terá de ficar sempre a ganhar já que é essa a lógica do sistema em que vivemos, o sistema capitalista.
O que não é compreensível e, muito menos admissível, é que o primeiro-ministro ainda há pouco, na sua mensagem de Natal,mentindo, tenha vindo afiançar que «os rendimentos dos portugueses estão a subir e a nossa economia a crescer consistentemente acima da média europeia». O que não é aceitável é que o Governo PSD/CDS (com o apoio do Chega e da IL)e as confederações patronais insistam no pacote laboral que, se aprovado,viria agravar drasticamente o caminho da exploração, das injustiças e desigualdades que estes aumentos vêm aprofundar. O que é contraditório é que o PS, que viabilizou o Programa do Governo e o Orçamento do Estado para 2026, pela voz de Inês de Medeiros,venha comentar a mensagem de Natal do PM, afirmando que «não foi para isso que ele foi eleito. Ele foi eleito para decidir, governar e criar estratégias a curto, médio e longo prazo para resolver os problemas que efectivamente afectam os portugueses e para acalmar aquelas que são muitas vezes as nossas angústias colectivas com o futuro».
Não há dúvida: enquanto não derrotarmos esta política e a substituirmos por uma outra, verdadeiramente alternativa, frutos como estes continuarãoa germinar. Não fosse esta a sua natureza!
Mas não há realidades que não possam ser transformadas, como tantas vezes a luta do povo já nos mostrou.




