Cuba denuncia agressões neocoloniais e assédio militar contra povos da América Latina

No quadro do Dia Internacional contra o Colonialismo em Todas as Suas Formas e Manifestações, o representante permanente de Cuba junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Ernesto Soberón, denunciou o recrudescimento das agressões dos EUA. Durante a reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU, que também serviu para comemorar o 65.º aniversário da Declaração sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais, Cuba, como co-autora da resolução 80/106 que convocou esta reunião, alertou para o dispositivo militar extraordinário que os EUA instalaram no Mar das Caraíbas.

A delegação cubana denunciou que estas manobras ofensivas, sob o pretexto de uma dita «luta contra o narcotráfico», representam uma violação flagrante do direito internacional e da proclamação da América Latina e das Caraíbas como Zona de Paz. O diplomata enfatizou que o uso da força e as ameaças de um bloqueio naval contra a Venezuela, anunciado recentemente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, constituem uma escalada de hostilidade.

Na sua intervenção, assinalou que estas práticas, somadas à interferência no espaço aéreo e à «guerra psicológica», são ferramentas de uma estratégia neocolonialista que procura desestabilizar o Governo bolivariano para apropriar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, ignorando a vontade soberana do povo venezuelano.

O representante cubano rejeitou a imposição de medidas coercivas unilaterais e a guerra económica por parte dos EUA, as quais qualificou como formas modernas de colonialismo que pretendem impor mudanças de governos e modelos políticos alheios às realidades nacionais.

Na mesma linha, denunciou que estas pressões estão amparadas na anacrónica Doutrina Monroe a qual continua a considerar a região latino-americana e caribenha como um «quintal traseiro» dos EUA.

Neste sentido, o embaixador cubano ratificou o apoio de Cuba ao presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, e à união cívica-militar da Revolução bolivariana.

Reafirmou também o apoio de Cuba à livre determinação de Porto Rico e ao direito legítimo da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, ilhas Geórgia do Sul, Sandwich do Sul e seus espaços marítimos. Apelou a uma solução política justa para o Sara Ocidental que garanta a autodeterminação do povo sarauí. Sobre a Palestina, condenou as décadas de política colonizadora ilegal e qualificou de «dívida histórica» o sofrimento do povo palestiniano, instando ao respeito dos seus direitos.

Ernesto Saberón definiu o colonialismo como uma ferida aberta que exige não apenas a sua erradicação total como também reparações históricas para os países da África e das Caraíbas pelos danos da escravidão e o passado colonial.

Uma vez mais, Cuba ratificou o seu compromisso de manter a descolonização como uma prioridade política ineludível, defendendo o direito de todos os povos a alcançar a sua plena independência, soberania e desenvolvimento económico sem interferências externas.

 



Mais artigos de: Internacional

Ataques, bloqueio e Inverno agravam dramáticas condições na Faixa de Gaza

Violando o cessar-fogo, Israel continua os ataques na Faixa de Gaza, contando-se às centenas os mortos palestinianos – incluindo crianças – e aos milhares os feridos desde Outubro. A chegada do Inverno e os obstáculos no acesso à ajuda humanitária agravam a situação na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que se intensificam os ataques militares, a repressão e a construção de novos colonatos na Cisjordânia.

Venezuela não será colónia de ninguém

Desde há 10 dias que os EUA assaltaram dois navios petroleiros no Mar das Caraíbas, que transportavam petróleo venezuelano, ameaçando continuarem estes actos de pirataria e imporem um bloqueio naval à República Bolivariana da Venezuela até que este país lhe entregue a exploração dos recursos petrolíferos.

China acusa EUA de «grave ingerência»

Na sequência da promulgação pelo presidente dos EUA da denominada Lei de Autorização de Defesa Nacional, com as dotações orçamentais militares para 2026 – que prevê uma despesa militar recorde de 901 mil milhões de dólares –, a China criticou a prevista venda de armas pelos EUA a Taiwan, considerando-a uma grave ingerência nos seus assuntos internos.

Estados do Sahel criam força militar unificada

A Aliança dos Estados do Sahel (AES), constituída por Mali, Burkina Faso e Níger, assinalou no sábado, 20, em Bamako, a criação de uma Força Unificada (FU) que integra os exércitos dos três países, formalizando a sua cooperação no sector da segurança, após meses de preparação. O presidente maliano, general Assimi Goita,...

Ingerências no Benim

O Benim foi cenário, recentemente, do que foi descrito como uma tentativa de golpe de Estado, sufocada pela intervenção de tropas estrangeiras. Na madrugada do dia 7, militares chefiados pelo tenente-coronel Pascal Tigri amotinaram-se e ocuparam a televisão estatal, entre outros objectivos em Cotonou, a capital política...