Ataques, bloqueio e Inverno agravam dramáticas condições na Faixa de Gaza
Violando o cessar-fogo, Israel continua os ataques na Faixa de Gaza, contando-se às centenas os mortos palestinianos – incluindo crianças – e aos milhares os feridos desde Outubro. A chegada do Inverno e os obstáculos no acesso à ajuda humanitária agravam a situação na Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que se intensificam os ataques militares, a repressão e a construção de novos colonatos na Cisjordânia.
Desde o início da implementação do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, tropas israelitas mataram mais de 400 palestinianos e feriram cerca de mil
Em consequência da agressão e do bloqueio israelita, a população palestiniana da Faixa de Gaza está confrontada com uma gravíssima situação humanitária, agora agravada pelas intempéries e o severo frio que atinge este território. Autoridades médicas palestinianas informaram que Saeed Abdeen, nascido há pouco mais de um mês, faleceu no dia 18, na zona de Al-Mawasi, situada no sul da Faixa de Gaza, sendo uma das vítimas mortais em resultado do rigoroso Inverno e da recente tempestade que fustigou este território.
A agência de notícias palestiniana Wafa alertou para a gravidade da situação humanitária, especialmente para as crianças e as pessoas deslocadas à força que vivem em tendas de campanha frágeis e mal equipadas para suportar o frio.
À devastação causada pelos contínuos ataques de Israel, que não cessaram, assim como ao condicionamento imposto pelo Governo israelita à entrada no território de alimentos e outros bens vitais em quantidades suficientes, somam-se agora as baixas temperaturas e as fortes precipitações que destruíram milhares de tendas de campanha. Milhares de habitantes do território padecem de falta de abrigo, de alimentos e de tratamento médico.
Nos últimos dias, diversos países, agências da ONU e organizações não-governamentais denunciaram a dramática situação humanitária na Faixa de Gaza.
FAO alerta para nível de fome e desnutrição
Agências da ONU alertam que na Faixa de Gaza pelo menos 1,6 milhões de palestinianos enfrentam um alto nível de insegurança alimentar aguda.
Num comunicado conjunto subscrito pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), estas agências das Nações Unidas denunciam que 77% da população da faixa de Gaza padece de fome e desnutrição. Entre os mais afectados encontram-se cerca de 100 mil crianças, assim como cerca de 37 mil mulheres grávidas e lactantes.
As organizações referem que, após o cessar-fogo de Outubro e alguma melhoria no acesso humanitário e comercial, «a fome, a desnutrição, as doenças e a magnitude da destruição agrícola continuam a ser alarmantemente altas».
O relativo avanço sobre a fome é «extremamente frágil», salientam, uma vez que a população continua a lutar contra a destruição massiva de infra-estruturas e o colapso dos meios de vida e da produção local de alimentos, ao mesmo tempo que persistem restrições às operações humanitárias.
Ataques na Faixa de Gaza e na Cisjordânia
O exército israelita executou novos bombardeamentos contra a Faixa de Gaza, em violação da trégua vigente, e levou a cabo novos ataques militares na Cisjordânia, onde continua a deter palestinianos.
Os bombardeamentos da força aérea sionista, no dia 18, nas cidades de Khan Yunis e Rafah, no sul da Faixa de Gaza, onde também se registaram disparos de artilharia e a presença de blindados, assim como o ataque ao campo de refugiados de Bureij, no centro do território, são alguns dos exemplos das violações do cessar-fogo por parte de Israel.
Segundo fontes palestinianas, desde a entrada em vigor do cessar-fogo na Faixa de Gaza, em Outubro, Israel matou cerca de 400 pessoas e feriu mais de mil.
Entretanto, na Cisjordânia, os militares israelitas continuam a deter cidadãos palestinianos, como na aldeia de Husan, na região de Belém, atacaram o campo de Al-Ain, situado a oeste da cidade de Nablus, assaltaram o povoado de Madma, onde invadiram diversas habitações e entraram nas localidades de Dura e Halhul, na região de Hebron.
Mais colonatos israelitas na Cisjordânia
As autoridades palestinianas condenaram a decisão do Governo israelita de construir ilegalmente cerca de 3600 novas habitações para colonos israelitas na Cisjordânia, considerando que esta medida representa uma flagrante violação do direito internacional.
As autoridades palestinianas denunciam que a ilegal expansão dos colonatos israelitas visa ampliar a ocupação, redesenhar a geografia palestiniana e impor realidades que dividem a ligação entre a população palestiniana da Margem Ocidental.
Alertam que o plano de construção é parte do plano de expulsão forçada da população palestiniana das suas casas e terras e uma tentativa de apagar a sua identidade nacional nesses territórios. Um projecto que procura mudar a realidade demográfica da Cisjordânia e que viola o direito internacional e os princípios mais básicos de justiça e humanidade, recalçaram as autoridades palestinianas.
O objectivo final de Israel, com estas e outras medidas ilegais, é impedir o estabelecimento do Estado da Palestina independente, soberano e viável. A instalação de colonatos nas proximidades de Jerusalém Oriental constitui um ataque directo ao estatuto jurídico e histórico da cidade e uma clara violação de convénios internacionais. As autoridades palestinianas apelam à condenação destas acções de Israel e à adopção de medidas urgentes para travar os planos sionistas.




