Acções em defesa do SNS em Almada, Barreiro e Setúbal
No sábado, as comissões de utentes da Península de Setúbal, em articulação com a União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, realizaram iniciativas simultâneas em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Problemas que afectam diariamente a população
No Feijó teve lugar uma concentração na Praça Urbano Tavares Rodrigues para exigir a construção imediata do novo Centro de Saúde, reivindicação que se mantém viva há mais de dez anos. Desde 2013, o Centro de Saúde de Santo António, no Laranjeiro, serve também a população do Feijó, situação que utentes e profissionais consideram insustentável devido à falta de espaço e de condições. O compromisso de construir uma nova unidade remonta à época em que foi edificada a Unidade do Laranjeiro, tendo a autarquia cedido terreno para o efeito. Em 2019, a plataforma de utentes lançou uma petição e, em 2021, a Assembleia da República aprovou uma resolução a recomendar a obra. O projecto viria a ser inscrito no PRR em 2023, e a Câmara lançou o concurso público no final de 2024, mas, denunciam os utentes, «o terreno continua vazio». Exigem, por isso, que Governo e autarquia garantam de imediato os procedimentos necessários para que o futuro Centro de Saúde deixe de ser promessa adiada.
No Barreiro, em articulação com as Comissões de Utentes do Arco Ribeirinho, realizou-se uma marcha entre o novo Centro de Saúde da Baixa da Banheira e o Hospital do Barreiro. Os manifestantes denunciaram o encerramento intermitente de especialidades e urgências, a concentração das urgências de obstetrícia no Hospital Garcia de Orta – deixando grávidas de oito concelhos sem resposta atempada – e a falta de médicos de família, que fragiliza os cuidados primários e aumenta a pressão sobre as urgências. Entre outros, a iniciativa contou com a presença de Jéssica Pereira, vereadora, e José Luís Ferreira, eleito na Assembleia Municipal. Em Setúbal, decorreu em simultâneo uma concentração junto ao Hospital de S. Bernardo.
A Direcção Regional de Setúbal do PCP saudou, entretanto, os utentes e os profissionais de saúde que participaram nestas acções.
Encerramento de serviço
Na passada terça-feira, 25, profissionais de saúde e utentes concentraram-se no Hospital Dona Estefânia (HDE), em Lisboa, contra o encerramento do serviço de neonatologia. Este serviço altamente diferenciado foi transferido para a Maternidade Alfredo da Costa, medida que, segundo a Plataforma Lisboa em Defesa do SNS, não resolve a falta de profissionais e agravará o acesso dos recém-nascidos a cuidados essenciais. Todos os anos, mais de seis mil bebés nascem prematuramente em Portugal, sublinha a estrutura.
Abuso de poder
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) manifestou forte oposição ao encerramento das urgências de obstetrícia em vários hospitais do País, classificando a decisão do Executivo PSD/CDS como um «abuso de poder» que põe em causa os direitos das mulheres e aprofunda o desgaste do SNS. O MDM exige a reabertura das urgências encerradas, o fim da triagem telefónica obrigatória e o reforço urgente de meios humanos e técnicos no Serviço Nacional de Saúde.




