Tortura e humilhação nas prisões de Israel
As torturas e os maus tratos infligidos por Israel aos presos políticos palestinianos têm décadas e estão bem documentados, tanto por organizações palestinianas como por israelitas. Há dias, o Centro Palestiniano para os Direitos Humanos (CPDH) divulgou um relatório com novos e chocantes testemunhos.
A tortura, a humilhação e até o assassinato de presos políticos palestinianos faz parte das práticas do sionismo
Os relatos em causa são de palestinianos detidos pelas forças israelitas durante a mais recente agressão à Faixa de Gaza e recentemente libertados. À semelhança de muitos outros, recolhidos ao longo dos anos, estes relatos revelam «uma prática organizada e sistemática de tortura sexual», incluindo violação, nudez forçada, agressão sexual com recurso a objectos e a cães, bem como «humilhação psicológica deliberada».
Uma mãe palestiniana de 42 anos, identificada no relatório com as iniciais N. A., foi presa em Novembro de 2024 quando tentava passar por um posto de controlo militar. Foi violada quatro vezes, ofendida, despida e filmada nua. Ao advogado do CPDH confessou: «Não consigo descrever o que senti, desejei a morte a cada instante. Depois de me terem violado, fui deixada sozinha no mesmo quarto, com as mãos ainda algemadas à cama e sem roupa durante horas.»
Outro testemunho, de um pai palestiniano de 35 anos preso no Hospital al-Shifa, na cidade de Gaza, revela os horrores sofridos nos 19 meses de prisão. Conta A. A. que «fomos completamente despidos. Os soldados trouxeram cães que subiram para cima de nós e urinaram para cima de mim. Depois, um dos cães violou-me». T. Q., de 41 anos, foi sujeito a torturas sexuais durante os 22 meses de detenção. Depois de sucessivamente violado com um pedaço de madeira, foi amarrado, vendado e posteriormente transferido para uma sala onde ficou detido cerca de oito horas, «durante as quais os soldados regressavam periodicamente para nos bater e insultar».
M. A., de 18 anos, foi preso por duas vezes, a última das quais este ano, junto a um ponto de distribuição alimentar gerida por Israel, onde são frequentes os assassinatos e as prisões. Conta também episódios – próprios e de outros presos – de violação com garrafas: «Violaram a nossa dignidade e destruíram o nosso espírito e a nossa esperança de vida. Eu queria continuar os meus estudos, agora estou perdido depois do que me aconteceu.»
Dos poucos militares que chegam a ser julgados por estes crimes, a maioria sai impune. Há dias, numa audiência judicial dos soldados acusados de tortura e violação de presos palestinianos na decorrência das denúncias da ex-provedora das Forças Armadas israelitas (que o Avante! noticiou na sua última edição), os réus foram recebidos como heróis por sectores da extrema-direita sionista. Tendo em conta o historial, a absolvição será com grande probabilidade o veredito final.
Mortos em cativeiro
Vários presos palestinianos acabam por sucumbir aos maus tratos e às torturas. Nos dias que se seguiram à entrada em vigor do cessar-fogo, 10 de Outubro, Israel entregou os corpos de 195 presos palestinianos mortos em cativeiro, muitos dos quais evidenciavam sinais de tortura ou execução sumária. Pelo menos 135 desses cadáveres vieram de Sde Teiman, centro de detenção conhecido pelas piores razões: o vídeo de tortura divulgado pela antiga provedora militar israelita foi aí registado.
Actualmente, cerca de 10 mil palestinianos estão presos por Israel, entre os quais centenas de menores.




