Cinco notas sobre a COP 30

A COP 30 (XXX Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas), que decorreu no Brasil, na cidade amazónica de Belém, capital do Estado do Pará, estabeleceu metas sem garantir um caminho para as atingir.

COP 30 estabeleceu metas sem garantir um caminho para as atingir

1. O acordo final da COP 30, apesar de aumentar as metas de mitigação (diminuição de emissões), não aponta o caminho para as alcançar, remetendo aspectos fundamentais das políticas de transição dos combustíveis fósseis e de combate à desflorestação para o período até à próxima COP (que será organizada em 2026 pela Turquia, em cooperação com a Austrália).

Apesar de apontar a triplicação do financiamento para os processos de transição, não aponta a forma para o atingir.

Apesar de aprovar metas para adaptação, reduziu a lista de indicadores a observar neste aspecto.

Apesar de avançar com o «Mecanismo de Belém», que aponta para um mecanismo para a transição em países em desenvolvimento não dependente da contracção de dívida, nada diz quanto à desadequação dos mecanismos de implementação das políticas de mitigação das alterações climáticas, em particular os que dependem do mercado.

Relembra-se que a COP 29 decidiu globalizar o Mercado Global de Carbono, introduzido no artigo 6.º do tão louvado Acordo de Paris, que garantirá que grandes empresas poluidoras continuarão a poluir recorrendo à compra de créditos de emissão.

2. A COP 30 fica marcada pela ausência dos Estados Unidos da América, um dos maiores poluidores do mundo, em termos absolutos, cumulativamente e per capita, consequência e expressão dos interesses dos gigantes corporativos extractivistas, e limita muito os esforços de mitigação das alterações climáticas, designadamente com redução de emissões.

3. A União Europeia, apesar de avançar para objectivos de redução de 90 por cento das emissões até 2040, quer permitir que cinco por cento dessa meta seja cumprida através da compra de «créditos internacionais de alta qualidade». Um esquema que é consequência e expressão de interesses de sectores do capital ligados aos mercados especulativos que procuram construir oportunidades de negócio e novas formas de acumulação da riqueza sem resolver o problema, garantindo que os países europeus continuem a poluir por conta de créditos de países em desenvolvimento.

Neste sentido, o governo português aparece a apoiar este esquema e a querer aplicar mecanismos de conversão da dívida para um suposto apoio à acção climática com vários PALOP, o que no fundamental confirma a aposta do governo PSD/CDS de abrir áreas de negócio, de favorecer sobretudo os grandes projectos de grandes grupos económicos.

4. Fazer depender as políticas ambientais de instrumentos baseados no mercado será sempre uma perigosa e falsa solução. É preciso reconhecer o princípio de responsabilidade comum, mas diferenciada em matéria de passivo ambiental dos diferentes países.

5. A urgência de verdadeiras políticas de adaptação aos efeitos das alterações climáticas implica coordenação internacional com base na solidariedade: partilhando tecnologia e conhecimento para que o progresso científico se espalhe de forma rápida e justa. A intensificação dos esforços de mitigação das alterações climáticas, designadamente com redução de emissões de GEE, requer uma viragem nas políticas ambientais do nosso país, reforçando os meios materiais e humanos das estruturas públicas de gestão e monitorização ambiental, apostando no controlo público dos sectores estratégicos, promovendo o transporte público e a substituição do transporte individual, valorizando a produção e consumo locais e a implementação de medidas que encurtem e racionalizem as cadeias de produção e distribuição, assim como garantindo o controlo público da água e do sector dos resíduos, com desenvolvimento de políticas de combate ao desperdício e à obsolescência programada.

 



Mais artigos de: Internacional

É preciso «salvar a Humanidade e a Natureza, não o Capital»

O Partido Comunista Português, o Partido Comunista de Espanha, o Partido Comunista Francês, o Partido do Trabalho da Bélgica e o Partido Comunista da Grã-Bretanha subscreveram uma posição comum sobre a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), realizada no Brasil.

Tortura e humilhação nas prisões de Israel

As torturas e os maus tratos infligidos por Israel aos presos políticos palestinianos têm décadas e estão bem documentados, tanto por organizações palestinianas como por israelitas. Há dias, o Centro Palestiniano para os Direitos Humanos (CPDH) divulgou um relatório com novos e chocantes testemunhos.

Venezuela bolivariana ultrapassará todos os obstáculos

«O que quer que façam, onde quer que façam, não conseguirão derrotar a Venezuela. Somos invencíveis. A paz continuará a ser a nossa vitória» afirmou o Presidente venezuelano, Nicolás maduro, perante as inaceitáveis chantagens e ameaças de agressão militar por parte dos EUA.

G20 aponta dívida como o maior obstáculo ao desenvolvimento

Culminando um ano de presidência temporária da África do Sul, a Cimeira do G20 realizada em Joanesburgo comprometeu-se com acções concretas para «melhorar as vidas das pessoas no mundo». O presidente Cyril Ramaphosa, da África do Sul, encerrou a Cimeira dos Líderes do G20, sublinhando que durante a presidência...

PCP no 25.º Congresso do Partido Comunista (Suíça)

Realizou-se nos dias 8 e 9 de Novembro, em Arbedo-Castione, Ticino, Suíça, o 25.º Congresso do Partido Comunista (Suíça), com a participação de mais de 100 militantes e convidados, incluindo representantes de mais de uma dezena de forças políticas da Europa, Ásia e América Latina. O Congresso discutiu e aprovou o...

China rejeita instalação de mísseis japoneses perto de Taiwan

A China advertiu que a decisão do Japão de instalar mísseis em ilhas na proximidade de Taiwan representa uma ameaça à estabilidade regional e viola princípios estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial, recordando que a Constituição japonesa e a Declaração de Potsdam, de 1945, proíbem o rearmamento nipónico e uma...