Ensino superior é investimento nacional

No passado dia 28 de Outubro, centenas de estudantes marcharam até à AR enfrentando, tanto a política que lhes rouba o futuro, como a intensa chuva que caía. Numa visita a Aveiro, António Filipe reuniu com a direcção da AAUAV, uma das associações presentes nesta grandiosa manifestação.

É preciso que a educação olhe para a pessoa de forma integral

Dezenas de milhares de estudantes deslocados sem alojamento público, desinvestimento estrutural na acção social escolar e o aumento do custo das propinas, perspectivado já para o próximo ano lectivo. São milhares de jovens que desistem do ensino superior face a estas dificuldades. Numa reunião com a direcção da Associação Académica da Universidade de Aveiro, António Filipe abordou esta realidade e afirmou que «estudar no ensino superior não é um privilégio individual», mas sim um «investimento que todo o País tem de fazer».

Os estudantes da Universidade de Aveiro sentem todos estes problemas, assim como todos aqueles causados pelas particularidades do local onde estudam. «A Universidade tem crescido muito», o que trouxe problemas infra-estruturais, «causando pressão e horários mais condensados», apontaram os estudantes. Também o alojamento é «uma questão universal», especialmente num distrito como Aveiro onde o turismo tem assumido um papel cada vez mais acentuado, causando novas dificuldades. Os números ilustram bem a situação: 17 mil estudantes, sensivelmente metade dos quais são deslocados nacionais ou internacionais. O número de camas em residências públicas? Somente 800, ficam assim mais claras as prioridades da política de direita.

Para além dos problemas de ordem material, os dirigentes aveirenses reflectiram também sobre a natureza do ensino superior e o seu real potencial. «Uma universidade não se deve focar em formar profissionais, mas sim cidadãos», valorizando o «percurso de forma integral», o «espírito crítico», a «envolvência na comunidade» e a «participação na sociedade». É preciso que a educação olhe para a pessoa de forma integral, suscitando a natureza criativa e transformadora da juventude, evitando que a saída do ensino superior seja, como descrita pelos jovens, uma «saída que não valoriza a pessoa, mas apenas as capacidades do profissional».

No final da reunião, António Filipe falou ainda das consequências do processo de Bolonha e as limitações impostas pelo actual RJIES. «Acabar com a empresarialização das faculdades» e defender o aprofundamento da democracia nas mesmas, aí está o único caminho alternativo.

 

Para que os jovens cá fiquem

«O futuro dos jovens não pode ser ter a esperança de ir trabalhar para um País onde recebam melhor.» Esta afirmação de António Filipe traduz, de maneira simples, um exigente desafio que nos está colocado a todos: a construção de um País onde os jovens tenham reais perspectivas de um futuro risonho, objectivo somente alcançável com uma política radicalmente diferente daquela que tem vindo a frustrar e minorar as expectativas das mais jovens gerações.

Numa conversa organizada pelo núcleo de estudantes de Ciência Política do ISCTE, António Filipe esclareceu algumas dezenas de jovens sobre a sua candidatura, o seu entendimento sobre o papel do Presidente e a sua perspectiva sobre os problemas que os jovens sentem. «Temos séculos de história e este povo já foi capaz de grandes coisas», portanto, mesmo que estejamos a «atravessar um momento complicado», a «mensagem é de confiança», afirmou o candidato a um jovem que irá votar pela primeira vez no dia 18 de Janeiro, antes de realçar que as pessoas «têm todo o direito de se indignar perante as injustiças e de lutar contra elas». Só se constrói um Portugal transformado, erguido pelo espírito de Abril e a letra da Constituição com pessoas que «invistam na sua vida e projectem o seu futuro».

 



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