Grande comício em Lisboa para cumprir Abril
Centenas juntaram-se à candidatura de António Filipe, na passada sexta-feira, confirmando a importância e potencial da mesma. No grande auditório do ISCTE, reforçou-se a força e a esperança para um grande resultado.
Vontade de lutar pela democracia, pelo progresso social e pela Constituição
«Chamemos a nós a batalha contra a resignação e o medo.» Como caracterizou Sandra Pereira, apresentando este grande comício, o desafio que está colocado a esta candidatura é de um grau de exigência absolutamente superlativo. Cabe a todos aqueles que sabem que o futuro do País não se fará de recuos históricos, como aquele colocado pela ameaça do novo pacote laboral, empreender um «firme combate a concepções reaccionárias», opondo-se às forças que estão a procurar fazer regredir o relógio da História.
Jovens, reformados, pensionistas, mulheres, estudantes, imigrantes e, claro está, trabalhadores, muitos trabalhadores. Aqui estão os que não se conformam com o estado a que o País chegou e que vêem, nestas eleições, mais uma oportunidade para procurar reverter este caminho e impor soluções de futuro. Uma dessas trabalhadoras é Cristina Torres, trabalhadora da Administração Local e dirigente sindical, que confia em António Filipe, pois «traz consigo um património de reflexão e luta que nenhum outra candidato poderá apresentar». Dois aspectos impossíveis de desligar um do outro, pois é da luta de todos os dias, como «em defesa da mulher trabalhadora», que se aprofunda o contacto com a realidade, no sentido de a transformar. Cristina Torres frisa ainda a importância da «defesa do Poder Local Democrático», do qual se afirma «orgulhosamente, trabalhadora». Também é preciso defender a «parte do Poder Local que falta cumprir», com a «criação das regiões administrativas», instrumento e condição para o aprofundamento da democracia, aproximando das populações o poder de decisão sobre o seu presente e futuro.
«Não ficámos à espera»
Esta é, como descreveu António Filipe, a «candidatura que não ficou à espera». Não ficou à espera de messias, posicionamentos alheios ou cálculos tácticos. Avança assim, confiante, pois sabe que «vale por si». «Cada um é dono do seu voto», e é a cada um que se dirige esta campanha, de forma franca honesta e aberta, afirmando-se enquanto verdadeiramente «agregadora da vontade de mudança», «da vontade de lutar pela democracia, pelo progresso social e pela Constituição».
Sobre a Constituição, instrumento que também tem de ajudar a canalizar a insatisfação e inquietação sentida em alternativa de futuro, o candidato sintetizou: «cumprir a Constituição é dar corpo ao projecto de democracia política, económica, social e cultural que esta aponta».
Afirmou ainda que «as preocupações ambientais não podem ficar de fora destas eleições presidenciais». Com o intensificar de fenómenos meteorológicos extremos e outras consequências materiais, importa defender e construir uma relação verdadeiramente harmoniosa entre o ser humano e a natureza, impossível com este sistema e com esta política.
Esta é uma campanha que «está a correr bem», mas que vai «correr ainda melhor», «com mais gente, mais apoio e mais mobilização» por uma «luta que entusiasma e vale a pena». Vamos a isso!
«Conhecer o que fomos capazes de fazer»
Também se escutou a intervenção de Sofia Lisboa, a primeira numa iniciativa desde a sua apresentação enquanto mandatária nacional da candidatura.
Mesmo «muito antes deste convite», Sofia Lisboa «já há muito trazia ao peito» este que é o seu Presidente. O único que reúne «a necessária combinação entre conhecimento, experiência e provas dadas de generosidade, empatia e firmeza, indispensáveis à função a que se propõe».
Urgente na vida de todos é cumprir e fazer cumprir a Constituição. Pode parecer pouco, mas talvez assim seja apenas «porque querem que nos habituemos a esperar pouco». Ela «promete muito mais», promete educação «para pôr as cabeças a pensar», saúde «para que os cuidados não dependam do saldo da conta», cultura, desporto, habitação digna, «liberdades e garantias que permitem a todas as pessoas crescer e viver no seu País e projectar o futuro pessoal e familiar». Agora não parece assim tão pouco, mas que é urgente, isso sem dúvida.
Direitos cujo «cumprimento está dependente da independência do poder político face ao económico», assim como a submissão do segundo ao primeiro. Outra importante, longa e dura batalha.
Esta é a candidatura «orientada pela bússola da vida concreta de quem trabalha», de todos os que não esperam mas constroem o futuro pois, como a mandatária afirmou: «não ficamos à espera que venha, nós já somos o País que virá».




