Paulo Raimundo apela em Aljustrel à mobilização contra a ofensiva da direita

Centenas de pessoas participaram no domingo, em Aljustrel, num almoço-comício, com o Secretário-Geral do PCP a sublinhar que a reconquista da Câmara pela CDU é uma vitória das populações e dos trabalhadores. Também se apelou à unidade e à luta por um outro rumo para o País.

«O único instrumento ao serviço de quem trabalha é o PCP»


Depois da actuação do grupo musical «Cante de União», António João Zacarias, responsável pela Organização Concelhia de Aljustrel do PCP, abriu o momento político, lembrando que a iniciativa integra a acção nacional «Outro rumo para o País. Revogar o pacote laboral, travar a exploração e as injustiças».

Sobre a vitória da CDU naquele concelho, o dirigente realçou que «não é só eleitoral: é política e social. Mostra o prestígio e o compromisso da CDU com os trabalhadores e com as populações de Aljustrel.»

Destacou ainda o esforço de candidatos e activistas: «Gente que esteve nas empresas, nas freguesias, junto das populações e nas associações, ouvindo os problemas, mobilizando para a luta e ajudando a construir soluções», e sublinhou as frentes de luta em que o Partido esteve envolvido nos últimos tempos, como a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a reposição das freguesias de Rio de Moinhos e Ervidel, a protecção do ambiente e a oposição à instalação de olivais intensivos junto de habitações em Ervidel.

Humildade, dedicação e honestidade
Também o recém eleito presidente da Câmara, Fernando Ruas, destacou que a vitória da CDU não se limitou à presidência do município: «Ganhámos também a Assembleia Municipal e as juntas de freguesia de Aljustrel, Rio de Moinhos e Ervidel. Em cinco dos sete órgãos autárquicos do concelho, a CDU triunfou.»

Fernando Ruas realçou que o resultado é fruto da proximidade com a população. «Conquistámos estas vitórias com humildade, dedicação, competência e, sobretudo, honestidade», destacou, agradecendo o apoio dos candidatos e voluntários, incluindo o professor Luís Bartolomeu, de 88 anos, mandatário da candidatura da CDU, que acompanhou praticamente todas as iniciativas de campanha.

O autarca apelou à continuidade do envolvimento popular: «Não se desliguem. Continuem próximos de nós, apoiando e acompanhando o nosso trabalho». Sublinhou também a necessidade de reforçar a presença da CDU em todas as freguesias, incluindo São João de Negrilhos e Messejana, demonstrando que «é possível reconquistar a confiança das populações, mesmo após décadas».

Entre outros dirigentes do PCP, subiram também ao palco Manuel Nobre, da Comissão Concelhia e recém eleito presidente da Assembleia Municipal, Miguel Violante, do Comité Central e responsável pela Organização Regional de Beja, Ângelo Alves, da Comissão Política do Comité Central e responsável pela Direcção Regional do Alentejo, e Manuela Pinto Ângelo, do Secretariado do Comité Central.

Defesa dos direitos dos trabalhadores
O Secretário-Geral do PCP encerrou o almoço-comício com uma intervenção cheia de energia e convicção, destacando a vitória da CDU como sendo «das populações, dos trabalhadores e da juventude deste concelho». Apesar da alegria, assinalou que é tempo de trabalho e de «voltar a pôr as populações como protagonistas da construção do seu futuro, cumprindo todos os compromissos assumidos na campanha».

De seguida, Paulo Raimundo criticou duramente os partidos da direita e o Chega: «Vivemos num País saqueado pela “quadrilha” do PSD, do CDS, do Chega e da Iniciativa Liberal», que estão «empenhados em impor um brutal assalto aos direitos de quem trabalha». Sobre o Chega, destacou que «fala de tudo menos de impostos sobre os lucros», permitindo que se desviem recursos para os grandes grupos económicos e permanecendo «calado perante as negociatas e lucros astronómicos».

Transferência de recursos públicos
O Secretário-Geral do PCP denunciou o Orçamento do Estado como instrumento de transferência de recursos públicos para os grandes grupos económicos, enquanto aumenta a precariedade e se cortam direitos.

«Há meios para aumentar salários, elevar o salário mínimo para 1050 euros, baixar o IVA da electricidade, do gás e das telecomunicações para 6%, aumentar reformas e pensões em 5% para todos. Há meios para reforçar o SNS, contratar médicos e enfermeiros, construir hospitais e centros de saúde – mas os recursos são desviados para grupos privados que lucram com a doença», acusou.

O dirigente concluiu apelando à mobilização contínua: «É tempo de voltar às aldeias, às ruas, às empresas e aos comércios; de falar com todos, de envolver novamente toda a gente. O único instrumento ao serviço de quem trabalha, capaz de enfrentar esta ofensiva, é o PCP».

 



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