Frente Comum em greve amanhã

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública prevê uma «grande greve» amanhã, 24, contra as políticas do Governo, que acusa de degradar o trabalho e os serviços públicos e de tentar fazer crer que «há mais problemas de segurança do que de saúde».

«Os trabalhadores exigem políticas diferentes»

«Vai ser uma grande greve e vai obrigar o Governo, se tiver bom senso, a perceber que está a comprar conflito social e que não vai parar porque os trabalhadores exigem políticas diferentes», afirmou Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, em conferência de imprensa realizada anteontem em Lisboa.

Está previsto o encerramento de muitas escolas, perturbações nos serviços de saúde e justiça e forte adesão nas autarquias, nos serviços centrais da Administração Pública e na área da cultura e dos monumentos.

Aos jornalistas, o dirigente considerou que o Orçamento do Estado para 2026 «degrada as condições de trabalho e desinveste nos serviços públicos», frisando que o aumento previsto para a saúde fica «abaixo da inflação» e que «mais de metade dos 17 mil milhões de euros do orçamento da saúde é canalizado para o sector privado». Nesse sentido, recordou que «760 mil pessoas trabalham na Administração Pública» e advertiu o Executivo PSD/CDS para a «miopia grave» de ignorar o peso social desse conjunto de trabalhadores.

Prioridades
A Frente Comum exige aumentos salariais de 15% ou, no mínimo, 150 euros para todos os trabalhadores e uma base remuneratória de 1050 euros, rejeitando os valores propostos pelo Governo – 56,58 euros em 2026, 60,52 euros em 2027 e 2028 – por considerar que «ficam muito aquém da recuperação do poder de compra». Reposição do vínculo de nomeação para todos os trabalhadores, fim da precariedade, valorização de todas as carreiras e profissões, revogação do SIADAP e, até lá, eliminação das quotas e progressão com quatro pontos, bem como a defesa das funções sociais do Estado, são outras das 73 propostas já apresentadas.

Sebastião Santana sustentou que há margem orçamental para responder às reivindicações, desde que sejam alteradas as prioridades políticas: «Não é uma questão de falta de dinheiro, é uma questão de opção política», disse, citado pela Lusa, criticando as «borlas fiscais» de 1700 milhões de euros para as empresas e a quebra do IRC em 300 milhões.

O coordenador da Frente Comum destacou ainda o aumento significativo nas despesas com a Defesa e o investimento de 50 milhões de euros em armamento norte-americano para a Ucrânia, considerando que o Governo quer «fazer crer que há mais problemas de segurança do que de saúde, o que não é verdade».

Pacote laboral
A estrutura sindical classificou como «vergonhoso» o pacote de reforma laboral e acusou a chamada reforma do Estado de ser uma «terraplanagem dos serviços públicos», apontando como exemplo a criação da Agência para a Gestão do Sistema Educativo, que considera «a primeira fase da desconstrução do sistema público de educação».

 



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