A quem serve “o estado da união”?
Na última sessão plenária do Parlamento Europeu, Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, protagonizou o já habitual discurso anual, a que, mimetizando os EUA, chamam “Estado da União”.
Ano após ano, a “Europa” está sob “ameaça”. Mas este ano, alto lá, que agora é que “está mesmo sob ameaça”! E, por isso, claro está, temos que ser “capazes de assegurar a nossa própria defesa e segurança” e a senhora e a Comissão estão “firmes” pela “unidade” e pelo reforço da “maioria democrática pró-europeia”. A mensagem é clara. É preciso apertar o espartilho para garantir essa dita “unidade” e os que ousem sair da narrativa são parte, naturalmente, da ameaça.
Nesta “Europa” não há matizes, a vida ou é a preto ou a branco, estás connosco ou és contra nós, ou és submisso ou és inimigo. E lá de submissão sabem bem estes “senhores da Europa”, vende-pátrias aos interesses dos EUA.
A guerra a Leste tem por isso que continuar, custe o que custar. «Foram já cerca de 170 mil milhões de euros» para a guerra, mas não chega. O dinheiro desviado da habitação, da saúde, da educação, é insuficiente. É preciso gastar ainda mais em bombas, na morte, no sofrimento, e por isso mobilize-se quase mais um bilião de euros. É preciso gastar mais dinheiro com a NATO (e a indústria militar dos EUA) e, claro, que paguemos nós. «Precisamos de mais sanções», daquelas que os povos têm vindo a pagar com língua de palmo no aumento do custo de vida. Mas não chega porque os EUA têm que vender os seus combustíveis, mesmo que os paguemos mais caros.
A atrocidade na Palestina atinge tais proporções que, ao fim de quase dois anos de genocídio e décadas de ocupação e agressão israelitas, a Comissão, que tem assumido um papel cúmplice com Israel, afirma a intenção de apresentar medidas ao Conselho para a suspensão do acordo e de financiamento. Mas sabe, como fez questão de referir, que «sem uma maioria, a nossa proposta fica bloqueada». Uma jogada ao estilo “eu até queria, alguns é que não deixam”. É uma engenhosa forma de procurar atrasar medidas concretas contra Israel, ao mesmo tempo que se mantém a pressão para pôr termo às decisões por unanimidade no Conselho.
E, para que a “Europa” seja verdadeiramente “livre”, é urgente intensificar a receita neoliberal. “Desburocratizar” a actividade económica e, com esse pretexto, desregular o trabalho – qualquer relação com o pacote laboral não será coincidência. Atacar a Segurança Social. Mobilizar mais meios públicos para os grandes grupos económicos. Mais mercado, mais mercado, em todos os domínios das nossas vidas!
Este “estado da união” não serve aos povos. Por isso tão significativo é resistir, tão urgente é rasgar caminhos para essoutra Europa, dos trabalhadores e dos povos!
O PCP sublinhou a importância do desenvolvimento da luta dos trabalhadores pelos seus direitos, assim como da luta pela paz e da ampliação da solidariedade internacionalista, nomeadamente com o povo palestiniano, com Cuba e outros povos e países alvo da ingerência e agressão do imperialismo.




