A Comissão Europeia merece censura!
Pela sua cumplicidade com o genocídio na Palestina, pelos grandes interesses económicos que a sua política serve, pela escalada armamentista que promove, a Comissão Europeia merece censura.
Pode dizer-se que as razões da censura não são novas. E não são. Elas já estiveram presentes na nossa avaliação quando, em Julho, votámos a moção de censura que foi então debatida. Voltamos agora a reafirmá-las a propósito da moção de censura que subscrevemos e que será em breve discutida e votada no Parlamento Europeu.
A realidade impõe a censura à Comissão Europeia e alguns dos seus desenvolvimentos recentes confirmam a força daquelas razões que servem de referência ao nosso posicionamento.
Quando censuramos a Comissão Europeia fazemo-lo denunciando a política militarista da UE, em associação com os EUA e a NATO, nomeadamente no que respeita ao aumento das despesas militares, activamente promovida pela Comissão Europeia, sublinhando a questão fundamental da necessidade da defesa da Paz e da segurança europeia.
Censuramos a Comissão Europeia denunciando o carácter neoliberal das políticas da UE, activamente promovidas pela Comissão Europeia, os prejuízos que dessas políticas resultam para os trabalhadores e os povos e os benefícios que delas colhem os grupos económicos e financeiros.
Censuramos a Comissão Europeia pela sua cumplicidade com o genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel, denunciando a falsidade e hipocrisia das suas proclamações sobre a defesa dos direitos humanos e do direito internacional.
Censuramos a Comissão Europeia por rejeitarmos o acordo comercial recentemente estabelecido entre os EUA e a UE ou aspectos contidos no acordo UE-Mercosul, pela sua postura face aos brutais assaltos militares e sistemáticas violações do direito internacional humanitário pelo Governo israelita, pela sua política nos planos ambiental e social.
Censuramos uma Comissão Europeia que convive bem com a extrema-direita, seja no âmbito da União Europeia ou no plano internacional, com a qual partilha as políticas neoliberais, militaristas, de retrocesso de direitos e liberdades. O exemplo do Governo de Meloni, em Itália, confirma-o com clareza.
Tal como aconteceu no passado, as razões da nossa censura à Comissão Europeia distinguem-se claramente e não podem ser confundidas com as de sectores da extrema-direita que, demagógica e oportunisticamente, fingem distanciar-se das suas políticas quando, na verdade, as apoiam e promovem.
Na censura que fazemos à Comissão Europeia afirmamos a alternativa que serve os povos, a alternativa de uma política de melhores salários e pensões, de acesso à saúde, à educação, à protecção social, à habitação, de resposta aos problemas ambientais, de economias orientadas para a melhoria das suas condições de vida, de paz e cooperação.
O sentido da censura que fazemos à Comissão Europeia é o sentido de quem faz a opção da luta em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e dos povos.




