Na Faixa de Gaza aumenta o número de mortes pela fome

Na Faixa de Gaza ocupada e cercada, ao mesmo tempo que os bombardeamentos das forças israelitas provocam todos os dias dezenas de vítimas, aumenta o número de mortes provocadas pela fome, em resultado do criminoso e cruel bloqueio imposto por Israel.

«O tempo para salvar vidas está a esgotar-se e são necessárias acções urgentes agora»

Desde o início da agressão israelita, há quase dois anos, o total de mortos em Gaza é de 61.499 e o de feridos 153.575. As crianças constituem grande parte das vítimas. Nas últimas semanas, o número de mortos por fome foi de 222, dos quais 101 crianças.

O Ministério da Saúde de Gaza denuncia que a desnutrição e a fome se agravam devido às restrições no acesso à ajuda humanitária impostas por Israel, uma dramática e desumana situação que se aprofunda com os ataques israelitas contra a população que tenta obter alimentos.

Responsáveis palestinianos alertam ainda que a escassez de combustível, a falta de ambulâncias e a ausência de maquinaria pesada para resgatar pessoas presas nos escombros, são factores que dificultam o socorro e a assistência médica à população.

Israel planeia colonizar toda a Palestina
Os planos de Israel para colonizar a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental ameaçam fechar as portas à segurança e à estabilidade no Médio Oriente, advertiu a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP).

O porta-voz da presidência palestiniana, Nabil Abu Rudeina, condenou o projecto aprovado pelo Gabinete de Segurança israelita visando controlar a Faixa de Gaza, onde vivem mais de dois milhões de palestinianos, muitos dos quais refugiados de outras regiões da Palestina.

Rudeina acusou Israel de violar o direito internacional e várias resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU. A Faixa de Gaza é parte integral da Palestina, do mesmo modo que Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, sublinhou o porta-voz da presidência palestiniana, apelando ao mundo que detenha os ataques israelitas e possibilite a entrada de ajuda humanitária no território.

As diversas organizações palestinianas denunciam o projecto sionista de colonizar a Faixa de Gaza. O presidente do Conselho Nacional Palestiniano, Rawhi Fattouh, insurgiu-se contra esta inaceitável intenção, que «representa uma declaração explícita do início de um plano de deslocação forçada e de massacres».

É urgente pôr fim ao genocídio
A maior parte da Faixa de Gaza está sob o controlo do exército israelita, sujeita a ordens de evacuação da população e sob a imposição de um criminoso bloqueio que impede a população palestiniana de aceder a água potável, alimentos, medicamentos, tratamento e cuidados médicos, abrigo, ou seja às suas necessidades mais básicas.

O responsável do Comité Internacional da Cruz Vermelha rejeitou a continuação das operações militares israelitas e defendeu a entrada de produtos vitais em grandes quantidades para dar apoio à população palestiniana, na saúde, nas infra-estruturas hídricas e na alimentação. Esta medida deve ser acompanhada de garantias de segurança que permitam a entrega da ajuda à população, sublinhou.

O Comité Internacional da Cruz Vermelha recordou que «o direito internacional humanitário é claro e inequívoco» e, portanto, Israel deve garantir protecção a todos os civis, às instalações de saúde e ao pessoal médico». «O tempo na Faixa de Gaza para salvar vidas está a esgotar-se e são necessárias acções urgentes agora», alertou.

 

Israel quer esconder os seus crimes 

Israel quer esconder os seus crimes e matar os jornalistas que os testemunham e denunciam perante o mundo, defendendo e dando a conhecer a verdade.

O gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) condenou o ataque israelita que assassinou seis jornalistas palestinianos, na cidade de Gaza.

As vítimas do bombardeamento foram identificadas como Anas Al Sharif e Mohamed Qraiqea, correspondentes da Al Jazeera; os fotojornalistas Ibrahim Zaher e Moamen Aliwa; o assistente de fotojornalismo Mohamed Nofal; e o jornalista Mohamed Al Khalidi, que trabalhava para o meio de comunicação palestiniano Sahat.

O exército israelita confirmou o ataque deliberado visando o jornalista Anas Al Sharif, dizendo que este integra o HAMAS, o que a Al Jazeera e o próprio Al Sharif haviam anteriormente claramente desmentido. A cadeia televisiva qualificou a acção israelita como um «assassinato selectivo», ao mesmo tempo que denunciou os ataques do regime israelita contra os jornalistas.

O ACNUDH condenou o assassinato dos seis jornalistas palestinianos pelas forças ocupantes, considerando que se trata de uma «grave violação do direito internacional humanitário». Para o organismo das Nações Unidas, «Israel deve respeitar e proteger todos os civis, incluindo os jornalistas». A par disso, o ACNUDH exigiu o acesso «imediato, seguro e sem obstáculos» dos órgãos de comunicação social à Faixa de Gaza.

De acordo com a ONU, desde Outubro de 2023, pelo menos 242 jornalistas palestinianos foram assassinados por Israel na Faixa de Gaza.



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