CDU: uma frente unitária e popular para alargar o campo de possibilidades de transformação
É tempo de, em cada cidade, vila e aldeia, somar forças e mobilizar vontades
As eleições autárquicas, por muito que alguns o desejassem, não são uma espécie de segunda volta das eleições legislativas. As características distintas destas duas batalhas eleitorais não se esbatem nem mesmo com a sua inesperada aproximação no calendário.
Nas eleições autárquicas são as questões locais – os problemas e dificuldades sentidos pelas populações associados à esfera do poder local; as soluções necessárias para lhes responder; o registo de intervenção dos eleitos; o trabalho realizado e a obra feita, seja em situações de maioria, seja em minoria – aquilo que deve estar no centro da discussão, das propostas, dos compromissos e programas eleitorais.
Mesmo a indiscutível relação que estas questões locais estabelecem com factores e decisões nacionais tende a ser apreciada a partir do posicionamento das forças e eleitos ou candidatos locais. O que não deixa de abrir portas a frequentes tentativas de demarcação, incongruente e oportunista, de certos candidatos face às posições dos respectivos partidos no plano nacional, certamente merecedoras de denúncia e combate.
É no plano local que se estreitam vínculos de representação, entre eleitores e eleitos, facilitando o reconhecimento de uns e de outros. É aí que mais facilmente se reconhecem os traços distintivos de um estilo de trabalho assente na proximidade, no enraizamento popular, na ligação à comunidade e aos problemas do quotidiano, às aspirações das pessoas.
É certo que nenhuma das 308 disputas eleitorais (só nos municípios, fora as freguesias) que marcarão as eleições autárquicas será imune ao quadro social, político e ideológico mais geral em que se desenrolam, com todos os fatores adversos que este comporta. Mas a correlação de forças no plano local adquire, ou pode adquirir, algum grau de autonomia face a determinantes que estão mais presentes noutras eleições nacionais.
Tendo presente esta realidade, este é o tempo de, em cada cidade, vila e aldeia, somar forças, mobilizar vontades, agregando-as audaciosamente numa ampla frente unitária e popular, que se proponha intervir no plano local para alargar o campo de possibilidades de transformação democrática e progressista. O espaço de convergência em torno deste objectivo é potencialmente amplo e não deve ser limitado à partida pelas opções que muitos possam ter feito em Maio último.
Pelo papel que assume nos órgãos municipais e nas freguesias e pelo trabalho que aí desenvolve; pela sua identificação com as dificuldades, anseios e aspirações da população; pelo projecto autárquico de que é portadora – a CDU tem condições para ser essa frente unitária e popular, não diluível em falsas alternativas, esse espaço de dinamização da convergência necessária para transformações por muitos desejadas.
Que transformações são essas? Entre outras:
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A existência de um planeamento urbanístico democrático e transparente, que ordene os usos do solo de acordo com objetivos de maximização do bem-estar social, não os deixando ao sabor do mercado e de objectivos de maximização do lucro;
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O combate à especulação imobiliária e a promoção do direito à habitação;
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A qualificação e valorização do espaço público, dos equipamentos de uso colectivo e da vida em comunidade;
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A salvaguarda do direito das populações à mobilidade, com a valorização dos transportes públicos, em detrimento do transporte individual;
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A existência de uma infra-estrutura verde que seja suporte de importantes funções ecológicas e factor de regulação de ciclos naturais, a par do combate à poluição nas suas variadas formas;
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A genuína democratização do direito à criação e à fruição culturais;
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O incentivo à prática desportiva, eliminando barreiras económicas de acesso;
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A garantia de serviços públicos municipais de qualidade e de proximidade, com a valorização e motivação dos trabalhadores das autarquias;
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A valorização da participação popular, nas diversas expressões que esta pode assumir, com destaque para o movimento associativo de base popular.
Vamos a isto! Mãos à obra, que se faz tarde!




