Meia dúzia de exemplos

Filipe Diniz

Privatização generalizada, liquidação de direitos, ainda maior dependência e periferização (incluindo a turistificação integral do País – “por todo o território e ao longo de todo o ano”), servil alinhamento com o imperialismo EUA/NATO/UE: programa do governo AD. Nuns lados fala com clareza. Noutros com dissimulação e desavergonhada lata. Meia dúzia de exemplos:

Lata 1”: «Avaliar de forma rigorosa as PPP, assegurando a sua transparência, equilíbrio contratual e benefício mútuo.»

Lata 2”: «Uma política de mobilidade que promova a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, […], alicerçada na livre concorrência, que gere a entrada de novos operadores, e que reforce o papel estruturante do transporte público» (!).

Lata 3”: «Defender o carácter público e universal do serviço postal moderno, garantindo a sua qualidade, eficiência e sustentabilidade, com um acompanhamento rigoroso do contrato de concessão do Serviço Postal Universal.»

Indistinção”: «entre a provisão pública ou privada, dando capacidade às entidades públicas de competir de forma equilibrada com o sector privado.» Fala de escolas públicas e hospitais públicos, nem mais.

Brevidade possível” (quando a Vinci quiser): «Iniciar com a maior brevidade possível a construção do Aeroporto Luís de Camões.»

Não exclusivamente” (bombardear onde convier aos EUA): «Apoiar e contribuir para todos os esforços de paz, designadamente, mas não exclusivamente, os promovidos pela ONU.»

Desejavelmente” (ou por outra via): «proceder à revisão da legislação laboral, desejavelmente no contexto da Concertação Social.»

Como ornamento, uma data de palavreado inglês sem tradução: dos “sunset clouses” aos “front office-back office”, dos “chief information officer” a outros “Building Information Model” e “regulatory sandbox”. Legível na embaixada EUA, ilegível para boa parte de nós.

O programa antinacional de um governo antinacional.

 



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