- Nº 2691 (2025/06/26)

CDU: uma frente unitária e popular para alargar o campo de possibilidades de transformação

Opinião


As eleições autárquicas, por muito que alguns o desejassem, não são uma espécie de segunda volta das eleições legislativas. As características distintas destas duas batalhas eleitorais não se esbatem nem mesmo com a sua inesperada aproximação no calendário.

Nas eleições autárquicas são as questões locais – os problemas e dificuldades sentidos pelas populações associados à esfera do poder local; as soluções necessárias para lhes responder; o registo de intervenção dos eleitos; o trabalho realizado e a obra feita, seja em situações de maioria, seja em minoria – aquilo que deve estar no centro da discussão, das propostas, dos compromissos e programas eleitorais.

Mesmo a indiscutível relação que estas questões locais estabelecem com factores e decisões nacionais tende a ser apreciada a partir do posicionamento das forças e eleitos ou candidatos locais. O que não deixa de abrir portas a frequentes tentativas de demarcação, incongruente e oportunista, de certos candidatos face às posições dos respectivos partidos no plano nacional, certamente merecedoras de denúncia e combate.

É no plano local que se estreitam vínculos de representação, entre eleitores e eleitos, facilitando o reconhecimento de uns e de outros. É aí que mais facilmente se reconhecem os traços distintivos de um estilo de trabalho assente na proximidade, no enraizamento popular, na ligação à comunidade e aos problemas do quotidiano, às aspirações das pessoas.

É certo que nenhuma das 308 disputas eleitorais (só nos municípios, fora as freguesias) que marcarão as eleições autárquicas será imune ao quadro social, político e ideológico mais geral em que se desenrolam, com todos os fatores adversos que este comporta. Mas a correlação de forças no plano local adquire, ou pode adquirir, algum grau de autonomia face a determinantes que estão mais presentes noutras eleições nacionais.

Tendo presente esta realidade, este é o tempo de, em cada cidade, vila e aldeia, somar forças, mobilizar vontades, agregando-as audaciosamente numa ampla frente unitária e popular, que se proponha intervir no plano local para alargar o campo de possibilidades de transformação democrática e progressista. O espaço de convergência em torno deste objectivo é potencialmente amplo e não deve ser limitado à partida pelas opções que muitos possam ter feito em Maio último.

Pelo papel que assume nos órgãos municipais e nas freguesias e pelo trabalho que aí desenvolve; pela sua identificação com as dificuldades, anseios e aspirações da população; pelo projecto autárquico de que é portadora – a CDU tem condições para ser essa frente unitária e popular, não diluível em falsas alternativas, esse espaço de dinamização da convergência necessária para transformações por muitos desejadas.

Que transformações são essas? Entre outras:

Vamos a isto! Mãos à obra, que se faz tarde!

 

João Ferreira